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Opep+ aumenta cotas de produção após conflitos no Oriente Médio
Sete membros da Opep+ decidiram, neste domingo (5), aumentar novamente suas cotas de produção de petróleo, enquanto os países do Golfo se recuperam das consequências da guerra no Oriente Médio.
Sete dos 21 membros da organização (Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã) se reuniram remotamente e decidiram "implementar um ajuste de produção de 188.000 barris diários", anunciou o grupo em um comunicado, especificando que esta medida será aplicada em agosto de 2026.
Os países do Golfo foram obrigados a reduzir sua produção após a quase paralisação do Estreito de Ormuz, operada pelo Irã durante a guerra no Oriente Médio, que bloqueou por vários meses suas exportações de petróleo.
Segundo dados da Opep, entre o primeiro trimestre de 2026 e maio, a produção combinada de Arábia Saudita, Iraque e Kuwait foi reduzida em cerca de seis milhões de barris diários.
No entanto, em 17 de junho, Irã e Estados Unidos assinaram um memorando de entendimento pelo qual se comprometeram a garantir a livre circulação marítima nesta via estratégica.
"Por enquanto, a produção provavelmente ainda está abaixo" das metas estabelecidas pela Opep+, disse à AFP Giovanni Staunovo, analista do banco suíço UBS.
Desde que Washington e Teerã assinaram o protocolo de acordo, o transporte marítimo na região vem se recuperando gradualmente e os preços do petróleo voltaram a cair para níveis comparáveis aos registrados antes da guerra.
Segundo um funcionário americano citado pela Bloomberg, o volume de petróleo que atualmente passa por Ormuz já superaria os 10 milhões de barris diários.
Grande parte do petróleo transportado ainda vem de estoques armazenados em navios e depósitos, observou Ole Hansen, analista do Saxo Bank, recordando que a retomada da produção após uma interrupção não é imediata.
"Se o tráfego marítimo continuar se recuperando, julho deverá refletir uma melhora da atividade, e em agosto a retomada poderá se acelerar", afirmou.
"Em relação ao próximo ano, todos apontam para um excedente de oferta", declarou à AFP Jorge León, analista da Rystad Energy.
A longo prazo, os produtores podem enfrentar uma forte pressão sobre os preços. Além disso, a Opep+, enfraquecida pela saída dos Emirados Árabes Unidos em maio, pode enfrentar tensões internas se os preços do petróleo continuarem caindo enquanto vários de seus membros reivindicam um aumento de suas cotas de produção.
O Iraque pediu, no final de junho, um aumento de sua cota para compensar as perdas decorrentes da guerra, informou então seu Ministério do Petróleo.
Nogueira--PC