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Bombardeios russos contra Kiev matam 24 pessoas antes da reunião da Otan
A Rússia lançou uma onda de mísseis e drones contra edifícios residenciais em Kiev pela segunda vez em uma semana, deixando pelo menos 24 mortos, na véspera de uma cúpula da Otan na Turquia.
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, instou seus aliados a tomarem "decisões firmes" para aumentar o fornecimento de sistemas de defesa aérea ao seu país após o ataque, ocorrido poucos dias depois de outro bombardeio russo que matou mais de 30 pessoas em Kiev.
Zelensky condenou o "ataque brutal" e afirmou que "as táticas russas não mudaram: infligir o máximo de dor e destruição possível aos ucranianos e à Ucrânia".
Ele também declarou que Kiev conseguiu derrubar drones e mísseis de cruzeiro, mas que "não dispunha de meios de defesa suficientes" contra mísseis balísticos.
O ataque desta segunda-feira abriu uma enorme cratera em um edifício residencial de vários andares na capital ucraniana, arrancando seus pavimentos superiores e partindo a estrutura ao meio.
Durante a noite, jornalistas da AFP em Kiev ouviram mais de dez explosões em meio a um alerta para mísseis balísticos.
"É simplesmente absurdo que, no mundo moderno, a produção ainda não tenha sido organizada na escala necessária para proteger as pessoas do terror balístico", afirmou Zelensky após os ataques.
"É de importância crucial que o mundo — e, antes de tudo, os Estados Unidos e nossos parceiros europeus — saia da cúpula da Otan em Ancara com decisões firmes em apoio à nossa defesa aérea", escreveu Zelensky mais cedo nas redes sociais.
Trata-se do segundo ataque consecutivo em que a Rússia emprega mísseis balísticos, que são difíceis de interceptar. O presidente ucraniano voltou a solicitar aos aliados mais mísseis para os sistemas antiaéreos Patriot, de fabricação americana.
Espera-se que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Zelensky conversem sobre o conflito à margem da cúpula da Otan, que começa na terça-feira, em Ancara.
Os ataques noturnos deixaram pelo menos 16 mortos em Kiev e oito em Vyshneve, cidade próxima à capital, além de dezenas de feridos, segundo os balanços mais recentes das autoridades.
Um jornalista da AFP viu, nesta segunda-feira, equipes de resgate retirarem o corpo de uma vítima do oitavo andar de um edifício residencial em Kiev, enquanto os gritos de uma mulher ecoavam no pátio.
A Rússia lançou um total de 68 mísseis e 351 drones, segundo a Força Aérea da Ucrânia.
Outras duas pessoas, entre elas uma jovem de 18 anos, morreram na cidade de Zaporizhzhia, no sul do país, informou Kiev.
- "Todas as janelas voaram" -
Uma explosão atingiu o prédio onde mora Anna Misko, de 36 anos, no bairro de Pozniaki, a leste da capital.
"Tenho um filho e sempre descemos ao térreo", afirmou à AFP. Desta vez, disse ter sobrevivido "por milagre", já que os primeiros andares do seu prédio ficaram arrasados.
Os habitantes do distrito de Podilski, zona norte da capital, viveram momentos de angústia.
"Às 1h30, aconteceu um impacto muito forte. Uma onda expansiva, todas as janelas voaram. E depois atacaram mais três vezes", contou à AFP Oleksandr Bakhlukov, que mora em um prédio próximo. "Pedaços de vidro caíram por todos os lados. Não sobrou uma janela de vidro no apartamento", acrescentou o homem de 68 anos.
Zelensky disse que o Exército ucraniano derrubou os drones e mísseis de cruzeiro russos, mas que dispõe de "um fornecimento insuficiente de mísseis interceptadores" para deter os mísseis balísticos.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o ataque demonstra que a Ucrânia precisa "com urgência" de mais defesa aérea e que a questão será abordada na reunião da Otan.
- Ucrânia ataca refinaria na Sibéria -
O Exército russo afirmou que suas forças também derrubaram mais de 500 drones ucranianos durante a noite.
O Exército ucraniano afirmou nesta segunda-feira ter atacado a refinaria de Omsk, a cerca de 2.500 km das fronteiras da Ucrânia. Trata-se de uma das maiores refinarias do país e da mais distante atingida por Kiev desde o início do conflito.
O governador dessa região siberiana, Vitaly Khotsenko, confirmou no Telegram que a instalação foi atacada e afirmou que o ataque não deixou vítimas.
A Rússia lança com frequência ondas de mísseis e drones contra as cidades ucranianas desde o início da invasão do país vizinho, em fevereiro de 2022.
O conflito entre Ucrânia e Rússia é o mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
E.Raimundo--PC