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Multidão comparece ao cortejo fúnebre do líder supremo iraniano Ali Khamenei
O cortejo fúnebre do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, começou na manhã desta segunda-feira (6) pelas ruas de Teerã com a presença de uma enorme multidão, no terceiro dia das cerimônias nacionais em homenagem ao aiatolá que morreu no primeiro dia da guerra no Oriente Médio.
Depois de permanecer dois dias na Grande Mosalla de Teerã, o caixão de Khamenei foi levado em procissão pela capital, em um rito que deve durar de 10 a 12 horas, anunciaram os organizadores.
O cortejo com o corpo de Khamenei começou a percorrer Teerã e deve passar pela emblemática rua Enghelab (Revolução) e pela praça Azadi (Liberdade), segundo a emissora de televisão estatal IRIB.
"Pedimos à população que compareça pacificamente à praça Azadi", declarou o general Hassan Hassanzadeh, um dos principais comandantes da Guarda Revolucionária.
Milhares de pessoas estavam vestidas de preto algumas carregavam bandeiras iranianas ou retratos do falecido líder supremo. Um iraniano exibia um cartaz com a frase "Abaixo os Estados Unidos" e outro uma imagem do presidente Donald Trump coberto por um alvo.
Milhares de pessoas lotaram no domingo a Grande Mosalla, onde prestaram homenagens a Khamenei e a quatro parentes do líder supremo que morreram nos bombardeios de 28 de fevereiro. Muros de concreto separavam o público do caixão para impedir tumultos.
Não estava claro até que ponto o público poderia se aproximar do caixão de Khamenei durante a procissão, mas as autoridades recordam o caos registrado em 1989, durante as cerimônias fúnebres do líder supremo anterior, o aiatolá Ruhollah Khomeini.
Na ocasião, as autoridades precisaram recorrer a um helicóptero para transportar o caixão de Khomeini ao local de seu enterro, depois que muitas pessoas avançaram contra o veículo em que estava o corpo, que caiu no chão.
Além do sepultamento de Ali Khamenei, que governou a República Islâmica por mais de três décadas e meia, as cerimônias fúnebres representam uma oportunidade para que as autoridades reforcem a imagem de resiliência após a guerra contra Israel e Estados Unidos.
- Mojtaba ausente -
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador com os Estados Unidos, destacou no X como "a orgulhosa e invencível nação islâmica do Irã" presta homenagem ao seu "mártir".
A procissão de segunda-feira será seguida por eventos similares na terça, na cidade sagrada de Qom, e na quarta, em dois santuários iraquianos, culminando com os ritos fúnebres na quinta-feira, em sua cidade natal de Mashhad, na região nordeste do Irã.
Três filhos de Ali Khamenei compareceram no domingo ao funeral, mas não Mojtaba Khamenei, designado novo líder supremo pouco após a morte de seu pai.
As autoridades informaram que Mojtaba Khamenei ficou ferido nos ataques, mas a gravidade das lesões não foi revelada.
O novo comandante da Guarda Revolucionária, Ahmad Vahidi, cujo antecessor morreu em 28 de fevereiro, também apareceu em público - ele não foi visto ao longo de toda a guerra.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian também compareceu à Grande Mosalla, mas não seus antecessores, que tinham relações tensas com Khamenei.
- Vingança -
O governo também quer destacar a grande presença da população em apoio às autoridades após os protestos em larga escala de dezembro do ano passado que, segundo grupos de defesa dos direitos humanos, deixaram milhares de mortos devido à repressão governamental.
A guerra no Oriente Médio permanece suspensa após um acordo de trégua entre Irã e Estados Unidos. Washington e Teerã advertiram que podem retomar os confrontos militares, e a vingança tem sido um tema recorrente no funeral de Khamenei.
"Os assassinos (de Khamenei) devem ser punidos", declarou à AFP um homem de 38 anos que se identificou com o sobrenome Miremadi, durante as orações de domingo.
"Apoiamos nossa revolução e nosso líder, e exigimos vingança pelo sangue de nossos entes queridos", afirmou uma mulher de 39 anos de sobrenome Bakand.
Khamenei manteve uma linha de confronto com o Ocidente e, sob seu comando, o Irã apoiou grupos armados contrários aos Estados Unidos e a Israel no Oriente Médio, incluindo o movimento palestino Hamas e o libanês Hezbollah, que enviaram delegações às cerimônias.
B.Godinho--PC