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França mostra que também está pronta para a batalha na Copa do Mundo
Obrigada a jogar uma partida muito mais física do que o esperado, a França mostrou garra para vencer o Paraguai por 1 a 0 e avançar para as quartas de final da Copa do Mundo de 2026, num jogo que confirmou que os 'Bleus' também sabem como conquistar um resultado quando seu poder de fogo ofensivo não é suficiente.
Pela primeira vez desde o início do torneio, os comandados de Didier Deschamps tiveram muita dificuldade para encontrar seu ritmo e criar espaços contra uma defesa paraguaia muito fechada.
Sem soluções para superar um adversário agressivo e claramente determinado a incomodar, o ataque francês, antes elogiado por sua eficiência, pareceu desprovido de ideias e inspiração.
Os 'Bleus', que tinham uma média de mais de três gols por jogo antes de enfrentar o Paraguai, precisaram contar com força mental e táticas alternativas para resolver uma partida que parecia uma emboscada.
Antes de enfrentar o Marrocos nas quartas de final em Boston, na quinta-feira, um adversário com um perfil completamente diferente da 'Albirroja', o técnico não escondeu a satisfação por descobrir uma outra faceta de sua equipe: uma mais resiliente e competitiva, bem diferente do ímpeto ofensivo exibido em partidas anteriores.
"Isso vai nos ajudar a crescer e servirá como aprendizado. Muitos jogadores estão disputando sua primeira Copa do Mundo. Estou muito feliz pela classificação e por tê-la conquistado dessa maneira. Estou convencido de que isso será muito útil para nós", declarou Deschamps.
Kylian Mbappé, que salvou os 'Bleus' e manteve a calma para converter o pênalti decisivo aos 70 minutos, foi mais direto em sua análise da partida.
"Mostramos que não somos um time que só sabe atacar. Se tivermos que colocar as mãos na merda, vamos colocar as mãos na merda", disse o craque francês à emissora M6.
- "Sabemos lutar" -
O capitão, que marcou seu sétimo gol no torneio, também deixou clara sua intensidade em campo, onde respondeu às provocações dos jogadores paraguaios, comemorou o gol de pênalti contra o goleiro Orlando Gill e se recusou a cumprimentá-lo ao final da partida.
Rayan Cherki, que entrou em campo aos 84 minutos, também destacou a capacidade da equipe de se adaptar a circunstâncias adversas.
"Mostramos a todo mundo que a seleção francesa não é só futebol, e que quem faz a guerra conosco sabe o que esperar (...) Queríamos mostrar que também sabemos lutar", explicou o armador do Manchester City.
A França enfrentou não apenas um adversário defensivamente sólido, mas também uma partida de muito contato físico e entradas duras, na qual o árbitro uzbeque Ilgiz Tantashev, estreante em Mundiais, aplicou três cartões amarelos aos franceses e permitiu diversas jogadas que beiravam a irregularidade.
Ainda assim, a seleção francesa manteve a firmeza e evitou cair na armadilha de uma partida cada vez mais ríspida, como reconheceu Bradley Barcola, um dos jogadores que receberam cartão.
"Foi difícil porque, depois do cartão amarelo, precisei ter cuidado. Com todas as pancadas que eu estava recebendo, não podia revidar nem entrar naquele tipo de jogo. Foi uma boa experiência", disse o jogador do Paris Saint-Germain.
Mbappé e seus companheiros agora enfrentam um cenário diferente contra o Marrocos, na quinta-feira, em Foxborough, Massachusetts. Espera-se uma partida mais aberta, permitindo que explorem seu potencial ofensivo contra um adversário com vocação para o jogo.
No entanto, a França já demonstrou capacidade de se adaptar a jogos que exigem intensidade física máxima, um trunfo adicional na busca pelo título.
T.Vitorino--PC