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EUA lança novos ataques contra Irã, embora Trump ainda considere 'possível' um acordo
Os Estados Unidos lançaram na madrugada desta terça-feira (14) uma série de ataques contra o Irã, em uma nova escalada após a recente retomada das hostilidades, embora o presidente Donald Trump tenha afirmado que um acordo com Teerã continua sendo “possível”.
O comando militar americano para o Oriente Médio (Centcom) anunciou em um comunicado o início de “uma terceira noite consecutiva de ataques contra o Irã”, pouco depois da meia-noite, hora de Teerã.
“Vamos atingi-los com força esta noite, e vamos atingi-los com força amanhã”, havia declarado antes Trump ao radialista Hugh Hewitt.
Quatro novas explosões foram ouvidas perto de Bandar Abbas, cidade portuária do sul do Irã situada no Estreito de Ormuz, informou a agência de notícias Irna.
Por sua vez, os Emirados Árabes Unidos, aliado de Washington no Golfo, indicaram nesta terça que o Irã atacou dois de seus petroleiros em Ormuz, o que causou a morte de um tripulante e deixou oito feridos.
Na segunda-feira, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atingido alvos e bases militares americanas na Jordânia, no Bahrein e no Kuwait.
Diante da imprensa na Casa Branca, Trump disse, no entanto, à noite, que um acordo com o Irã ainda era “possível”.
Antes disso, havia anunciado em sua plataforma Truth Social que os Estados Unidos tomariam o controle de Ormuz, uma rota-chave para o trânsito mundial de hidrocarbonetos, e que o bloqueio dos portos iranianos seria restabelecido.
Essa medida de pressão entrará em vigor nesta terça-feira às 20h00 GMT (17h no horário de Brasília), segundo o Exército americano.
Assim como Teerã, o presidente dos Estados Unidos disse que queria cobrar “uma remuneração equivalente a 20% do valor das cargas” em Ormuz, apesar de a via estar sujeita ao direito internacional, o que supostamente deve garantir a liberdade de navegação.
- “Justos” -
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, ironizou sobre a ameaça de pedágio de Trump. “O Irã sempre foi o guardião do estreito e continuará sendo para sempre”, garantiu na rede social X.
“O presidente dos Estados Unidos está absolutamente certo. Quem garantir a passagem segura deve receber uma compensação”, disse, acrescentando: “Os 20% são, é claro, demais. Seremos justos”.
Diante dessas trocas, os preços do petróleo dispararam na segunda-feira: o barril de Brent do Mar do Norte, referência internacional, subiu 9,59% e foi cotado a 83,30 dólares.
Após quase 40 dias de bombardeios no conflito desencadeado pelos ataques israelenses e americanos de 28 de fevereiro, um cessar-fogo entrou em vigor no início de abril e foi ratificado em 17 de junho por meio de um protocolo de acordo.
Mas, desde as novas agressões dos últimos dias contra navios que tentavam atravessar Ormuz, os confrontos foram retomados com uma intensidade sem precedentes, o que levou Trump a afirmar que o cessar-fogo “acabou”.
Na semana passada, o presidente dos EUA enviou ainda uma notificação oficial ao Congresso indicando que o conflito com o Irã havia sido retomado, confirmou a Casa Branca à AFP.
- “Em crise” -
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, afirmou na segunda que o memorando de entendimento de junho, que serviu de base para as negociações e suspendeu o bloqueio americano, estava “em crise”.
Baqaei disse que o Irã ignoraria suas obrigações no âmbito do acordo se os Estados Unidos fizessem o mesmo, mas acrescentou que Teerã continuava mantendo conversas com mediadores do Catar, do Paquistão e de Omã para evitar uma escalada maior.
A mídia estatal iraniana informou sobre mortos nos últimos ataques americanos, que, segundo disseram, tiveram como alvo amplas zonas do sul e do oeste do país.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou na segunda-feira sua “profunda preocupação” com a escalada regional.
Por outro lado, o governo do Iêmen afirmou na segunda que atacou o aeroporto da capital Sanaa, controlado pelos rebeldes huthis, que são apoiados pelo Irã, na maior escalada de violência entre os dois lados em anos.
As autoridades declararam que queriam impedir que um avião iraniano pousasse, após não conseguirem convencer uma delegação huthi que viajou a Teerã para o funeral do falecido líder supremo iraniano a embarcar em outro voo.
A.Santos--PC