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Groenlândia propõe comissão de reconciliação sobre contracepção forçada de inuítes
A Groenlândia propôs nesta sexta-feira (28) criar uma comissão de reconciliação sobre a campanha de contracepção forçada de mulheres inuítes realizada pela Dinamarca, depois que uma comissão de especialistas sobre o tema não conseguiu determinar se se tratou de um "genocídio".
Entre os anos 1960 e 1990, mais de 4 mil groenlandesas receberam um dispositivo intrauterino, na imensa maioria das vezes sem seu consentimento ou o de seus pais, quando eram menores de idade.
A comissão de especialistas encarregada de determinar as implicações jurídicas dessa contracepção forçada não apresentou conclusões unânimes, mas seus membros concordaram que essa campanha pode ter acarretado diversas violações dos direitos humanos e dos direitos dos povos indígenas.
Ao final, foram apresentados dois relatórios, com quase seis meses de atraso em relação ao cronograma inicial.
"Não podemos dizer, em nome do Naalakkersuisut [o governo groenlandês], se houve genocídio. É algo sobre o qual podemos continuar debatendo", declarou em entrevista coletiva a ministra da Justiça, Marianne Paviasen.
Para Jens-Frederik Nielsen, chefe do governo groenlandês, agora será necessário "iniciar um processo de cura".
"Vamos criar uma comissão de reconciliação", afirmou Nielsen, expressando seu desejo de cooperar com Copenhague sobre o tema.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, aplaudiu a iniciativa e observou que ela poderia ajudar a "adotar um olhar crítico" sobre a questão e "reconhecer o sofrimento que [possa] ter causado".
Mas, para Henriette Berthelsen, uma das vítimas, as conclusões estão, de todo modo, enviesadas porque entre os especialistas não havia inuítes groenlandeses.
"Para mim, não se trata apenas de História ou de política, é o meu corpo, a minha vida e o meu direito à autodeterminação. E, mais uma vez, constato que são outros que vão investigar e definir o que foi feito comigo e com outras mulheres inuítes", declarou à AFP.
A campanha, que teria envolvido pelo menos 4.070 mulheres, segundo uma investigação concluída no ano passado, afetou sobretudo adolescentes de 12 anos, algumas das quais nunca puderam ter filhos.
O Parlamento dinamarquês deu na quinta-feira sinal verde para a indenização das vítimas, em conformidade com o desejo da primeira-ministra.
No ano passado, Frederiksen apresentou oficialmente as desculpas da Dinamarca.
E.Raimundo--PC