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Greve de moradores ameaça atividade turística em Machu Picchu
A atividade turística em Machu Picchu enfrenta, nesta quinta-feira (25), uma greve convocada por habitantes contra o novo sistema adotado pelo governo peruano para a venda de ingressos para a cidade inca mais visitada do mundo.
O protesto foi organizado por coletivos do distrito de Machu Picchu Pueblo, no departamento de Cusco, em repúdio à decisão do Ministério da Cultura de contratar um intermediário privado para gerenciar a venda online das entradas.
De acordo com seus líderes, a chamada paralisação indefinida inclui marchas, o fechamento de comércios e bloqueios na via férrea que leva a essa joia da arquitetura e engenharia pré-hispânica.
"Somos contra a privatização sistemática de Machu Picchu. A população não concorda, esta empresa foi contratada de forma ilegal. As organizações pedem que o contrato com a empresa Joinnus seja anulado", disse à AFP Darwin Baca, ex-prefeito de Machu Picchu.
Devido ao protesto, turistas nacionais e estrangeiros têm passado por atrasos em seus itinerários.
Os manifestantes, com bandeiras e cartazes que diziam "Machu Picchu não se privatiza nem se aluga" e "Ministra da Cultura, renuncie já", interromperam o tráfego do trem, obrigando os viajantes a caminhar cerca de três quilômetros até a entrada da cidadela, observou um repórter da AFP.
Segundo o Ministério da Cultura nas redes sociais, a visita à cidadela está ocorrendo "com total normalidade" e estão sendo oferecidas "facilidades nos horários de entrada".
A pasta deixou nas mãos da empresa peruana Joinnus a venda online dos ingressos para Machu Picchu e a rede de caminhos incas, após alegar problemas com sua plataforma virtual.
No entanto, comerciantes e operadores turísticos são contra o novo sistema, que começou a funcionar no sábado, por considerarem que é o primeiro passo para a privatização de Machu Picchu.
O Coletivo Popular Machu Picchu denunciou em comunicado que a Joinnus ganhará até 12 milhões de sóis (cerca de 15,7 milhões de reais) por ano em comissões pela venda dos bilhetes.
"Ninguém pode dizer que estamos privatizando o patrimônio cultural. Eu mesma sou contra. Machu Picchu pertence a todos os peruanos", declarou a ministra da Cultura, Leslie Urtega, no sábado.
A cidadela recebe em média 4.500 visitantes por dia. O governo reservou cerca de 1.000 bilhetes diários para venda direta no Centro Cultural de Machu Picchu Pueblo.
Patrimônio Cultural da Humanidade desde 1981, o complexo arqueológico, localizado a 130 quilômetros da cidade de Cusco e a 2.438 metros de altitude, foi construído no século XV por ordem do imperador inca Pachacutec (1438-1470).
Conhecida como a "cidade perdida dos incas", foi descoberta em 1911 pelo explorador americano Hiram Bingham.
F.Carias--PC