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Países ricos relutam em propor valores nas negociações da COP29
A dois dias do fim da COP29, a pressão aumentou nesta quarta-feira (20) em Baku, onde os países ricos ainda não propuseram nenhum valor para atingir a meta de 1 trilhão de dólares (5,7 trilhões de reais na cotação atual) por ano que os países em desenvolvimento precisariam para enfrentar a mudança climática.
A ministra colombiana do Meio Ambiente, Susana Muhammad, declarou-se "preocupada" com o lento andamento das negociações.
"Estamos muito acima da negociação, por isso não há nada para negociar [...]. São necessários [trilhões] ou mais de dólares anualmente para resolver a escala do problema. E quanto menos investimos, mais caro será a cada cinco anos, porque a mudança climática torna isso impossível", disse à AFP.
De acordo com economistas comissionados pela ONU, os países em desenvolvimento precisam de 1 trilhão de dólares por ano para enfrentar as consequências da mudança climática.
"Ouvimos propostas diferentes" em relação aos números da ajuda pública dos países ricos, comentou o ministro australiano do Clima, Chris Bowen, em uma sessão plenária.
"De 900 bilhões, 600 bilhões e 440 bilhões" de dólares, disse, aludindo às consultas que manteve na véspera com o seu homólogo egípcio, Yasmine Fouad, para tentar desencalhar as negociações.
Segundo vários delegados contactados pela AFP, nenhum destes números provém de países desenvolvidos.
"Ouvimos nos corredores cifras de 200 bilhões [de dólares] propostas" pelos países ricos. "Isso é inimaginável, não podemos aceitá-lo", denunciou o negociador-chefe da Bolívia, Diego Pacheco, que falou na sessão em nome dos países em desenvolvimento.
Os países em desenvolvimento exigem anualmente um total de 1,3 trilhão de dólares (7,5 trilhões de reais) em ajuda para construir centrais solares, investir na irrigação e proteger as cidades contra inundações.
Os países ricos, por sua vez, exigem saber como o seu dinheiro público será associado ao obtido através de outras fontes de financiamento, como fundos privados ou novos impostos globais, antes de propor qualquer valor.
Eles também querem que países como a China e a Arábia Saudita, ainda incluídos na lista dos países em desenvolvimento, apesar do aumento de sua riqueza, contribuam.
"Todos os que podem e têm uma economia forte devem contribuir para os países em desenvolvimento [...], não só a China, mas os países do Golfo e outros países devem contribuir de acordo com as suas capacidades", comentou a ministra colombiana Susana Muhammad, que apelou a "um pacote de financiamento público".
O coordenador azerbaijano das negociações, Yalchin Rafiyev, instou as partes a "acelerar o ritmo" das negociações e indicou que um novo projeto de acordo poderá ser divulgado nesta quarta-feira à noite.
L.Henrique--PC