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Furacão Melissa deixa ao menos 30 mortos no Haiti e se aproxima de Bermudas
Melissa, o pior furacão a passar pelo Atlântico em quase um século, segue enfraquecido em direção a Bermudas nesta quinta-feira (30), após sua passagem devastadora pelo Caribe, que deixou ao menos 30 mortos no Haiti, e partes de Cuba e Jamaica em ruínas.
As previsões indicam uma redução das inundações em Bahamas, que suspendeu o alerta de furacão, mas elas podem persistir em Cuba, Jamaica, Haiti e República Dominicana, informou o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, na sigla em inglês).
"As condições em Bermudas vão se deteriorar rapidamente esta tarde e noite", disse o NHC, ao se referir à chegada de Melissa a esse arquipélago no Oceano Atlântico, com ventos máximos sustentados de 165 km/h.
A força e a capacidade destrutiva deste furacão se intensificou devido à mudança climática provocada pela atividade humana, segundo uma análise do Imperial College de Londres.
No Haiti, que não foi impactado diretamente pelo furacão, mas sofre com fortes chuvas, pelo menos 30 pessoas, incluídas dez crianças, faleceram e 20 estão desaparecidas, segundo um novo balanço publicado nesta quinta-feira pelas autoridades locais.
A maioria das mortes (23) foi provocada por uma inundação repentina no sudoeste do país.
Em Cuba, a passagem de Melissa na quarta-feira agravou uma situação que já estava difícil devido à grave crise econômica que afeta a ilha há cinco anos.
Em Santiago de Cuba, a segunda maior cidade do país, a tempestade provocou o desabamento parcial de residências e arrancou telhados. A cidade estava sem eletricidade e muitos cabos de alta tensão jaziam pelo chão.
"Este ciclone nos matou, pois nos deixou destruídos", disse à AFP Felicia Correa, que vive no vilarejo de La Trampa, cerca de 20 km a leste de Santiago de Cuba.
"Já estávamos passando tremenda necessidade. Agora, claro que estamos muito pior", acrescentou esta mulher de 65 anos.
Em El Cobre, próximo a La Trampa, era possível ouvir o som dos martelos: pessoas que perderam os tetos de seus casas tentavam repará-los com a ajuda de amigos e vizinhos, observou a AFP.
Outros se aventuraram a sair em busca de comida, enquanto alguns comércios começavam a reabrir.
As autoridades cubanas informaram que cerca de 735 mil pessoas foram evacuadas, especialmente nas províncias de Santiago de Cuba, Holguín e Guantánamo.
- 'Ajuda humanitária imediata' -
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, que viajou à província de Holguín, uma das mais afetada, declarou que o furacão havia causado "danos consideráveis", mas nenhuma vítima.
O governo americano de Donald Trump disse que enviou equipes de resgate e resposta a Jamaica, Haiti, República Dominicana e Bahamas e ofereceu ajuda a Cuba, seu histórico rival ideológico.
"Os Estados Unidos estão preparados para proporcionar assistência humanitária imediata" ao "valente povo cubano", indicou o secretário de Estado americano Marco Rubio na rede social X.
O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, anunciou o envio de 26 toneladas de ajuda humanitária a Cuba.
O Reino Unido garantiu uma ajuda de emergência de aproximadamente 3,3 milhões de dólares (R$ 17,7 milhões) para a região e informou que disponibilizará voos para facilitar a saída de cidadãos britânicos da Jamaica.
"El Salvador enviará amanhã três aviões de ajuda humanitária à Jamaica", indicou o presidente salvadorenho Nayib Bukele no X.
- 300 km/h -
Cerca de 40 pessoas morreram na região devido à passagem do ciclone, algumas delas enquanto protegiam suas casas antes de sua chegada.
A potência de Melissa superou a de furacões como o Katrina, que devastou a cidade de Nova Orleans em 2005.
Melissa foi a tempestade mais forte a tocar o solo na Jamaica em 90 anos. Na terça-feira, atingiu o país caribenho como furacão de categoria 5, a mais alta na escala Saffir-Simpson, segundo uma análise da AFP com base em dados meteorológicos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês).
Em 1935, o furacão do Dia do Trabalho devastou o arquipélago de Florida Keys, nos Estados Unidos, com ventos também próximos a 300 km/h e uma pressão atmosférica de 892 milibares.
O primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness, declarou o país como "zona de desastre".
Cientistas afirmam que as mudanças climáticas causadas pelos humanos intensificaram as grandes tempestades e aumentaram sua frequência.
A.P.Maia--PC