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Fortes chuvas deixam ao menos 23 mortos em Minas Gerais
Pelo menos 23 pessoas morreram, dezenas estão desaparecidas e mais de 400 foram obrigadas a deixar suas casas devido às fortes chuvas em Minas Gerais, informaram os bombeiros nesta terça-feira (24).
Até o momento, foram registradas 16 mortes no município de Juiz de Fora e 7 em Ubá, segundo o último balanço oficial.
O temporal provocou a cheia de um rio, causando enchentes, desabamentos de prédios e deslizamentos de terra.
O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais também está buscando "dezenas" de pessoas desaparecidas, confirmou um porta-voz à AFP, enquanto moradores tentam resgatar seus familiares.
"Estamos aqui para encontrá-la, com Deus nos dando força e confortando nossos corações, para que possamos achá-la com vida. Estamos lutando por isso", disse à TV Globo Valtencir Coutinho, voluntário nos resgates e pai de uma menina de 6 anos sob escombros.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconheceu o estado de calamidade em Juiz de Fora, declarado na madrugada pela prefeita Margarida Salomão (PT) devido à "gravíssima situação".
Lula colocou a Defesa Civil Nacional em "alerta máximo" e enviou reforços à região para os trabalhos de resgate, segundo publicou na rede X.
Segundo Salomão, este foi o fevereiro mais chuvoso da história deste município de aproximadamente 540 mil habitantes, com 584 milímetros de chuva acumulada.
- Situação "extrema" -
A tempestade começou na tarde de segunda-feira em uma região de vale próxima à divisa com o estado do Rio de Janeiro.
"Bairros estão ilhados" e a situação é "extrema", afirmou Salomão em uma mensagem de vídeo, na qual detalhou pelo menos 20 deslizamentos de terra foram registrados.
"A Defesa Civil estima que 440 pessoas" foram afetadas e estão recebendo apoio da Prefeitura para abrigo e acomodação temporários, acrescentaram autoridades no X.
O Corpo de Bombeiros foi acionado para atender à catástrofe especialmente em áreas próximas ao rio Paraibuna, que transbordou.
"Ninguém mais quer ficar aqui", disse ao jornal Estadão Angélica Rezende Moreira, 44 anos, dona de um restaurante onde "perdeu tudo".
Imagens que circulam nas redes sociais mostram equipes de resgate trabalhando com escavadeiras em áreas soterradas pela lama, com casas completamente destruídas.
Alguns moradores registraram prédios desabando em segundos devido aos danos estruturais sofridos.
As imagens também mostram ruas e avenidas alagadas, com a água subindo com força a grandes alturas, enquanto bombeiros usam equipamentos especializados para retirar pessoas em risco de afogamento.
As autoridades suspenderam as aulas em todas as escolas municipais.
O Brasil sofreu diversas tragédias nos últimos anos ligadas a eventos climáticos extremos, desde enchentes e secas até ondas de calor intensas.
Em 2024, enchentes sem precedentes atingiram o sul, deixando mais de 200 mortos e 2 milhões de pessoas afetadas, em um dos piores desastres naturais da história do país.
Em 2022, outra forte tempestade deixou 241 mortos na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro.
Especialistas atribuem a maioria desses eventos aos efeitos da mudança climática.
F.Carias--PC