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Buscam dezenas de desaparecidos em chuvas que já deixaram 23 mortos em MG
Pelo menos 23 pessoas morreram e 43 estão desaparecidas devido às chuvas torrenciais que atingem Minas Gerais, que na noite de segunda-feira (23) surpreenderam boa parte da população que já estava em suas casas.
Foram registrados até agora 16 mortos no município de Juiz de Fora e 7 no de Ubá, segundo o último balanço oficial desta terça-feira (24).
As ruas se transformaram em rios revoltos pela tempestade desencadeada no anoitecer de segunda-feira.
Um vídeo feito por moradores mostrou um edifício desabando em poucos segundos, devido ao dano estrutural que sofreu.
As autoridades informaram que ainda procuram 43 desaparecidos na região, com a ajuda de voluntários que tentam encontrar seus familiares.
"Estamos aqui desde ontem à noite para ver se [as vítimas] conseguem sobreviver debaixo da terra (...) A esperança é a última que morre", disse à AFP Lívia Rosa, uma costureira de 44 anos, cujo genro tem vários familiares entre as vítimas soterradas pelos deslizamentos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu o estado de calamidade em Juiz de Fora, decretado na madrugada pela prefeita Margarida Salomão (PT) diante da "situação gravíssima".
Lula colocou em "alerta máximo" a Defesa Civil e enviou reforços à região para os trabalhos de resgate, segundo anunciou na rede X.
As autoridades disseram que este foi o fevereiro mais chuvoso desde que há registros em Juiz de Fora, um município de cerca de 540 mil habitantes, com 584 milímetros de água acumulados até o momento neste mês.
- "Deslizamento muito grande" -
"O local conta com um volume muito grande de terra que desceu, um deslizamento muito grande (...) trata-se de 12 casas que foram superadas", disse à AFP o major Demetrius Goulart, responsável pelos bombeiros no bairro residencial Parque Burnier, um dos mais afetados em Juiz de Fora.
"É uma quantidade grande de pessoas que estavam em suas casas à noite, no momento de chuva", lamentou.
A prefeita Salomão advertiu em uma mensagem em vídeo que "os bairros estão isolados" e a situação é "extrema", com pelo menos 20 deslizamentos de terra detectados.
A Defesa Civil estima ainda em 440 o número de moradores que tiveram de deixar suas casas e recebem apoio da prefeitura para seu alojamento provisório.
Os bombeiros trabalhavam com especial intensidade em áreas próximas ao rio Paraibuna, que transbordou.
Nas redes sociais circulam imagens de equipes de resgate operando com escavadeiras em áreas soterradas pela terra, com moradias destruídas.
As autoridades suspenderam as aulas em todas as escolas municipais.
O Brasil tem sofrido diferentes tragédias nos últimos anos ligadas a eventos climáticos extremos, desde inundações até secas e intensas ondas de calor.
Em 2024, inundações inéditas atingiram o sul do país e deixaram mais de 200 mortos e dois milhões de moradores afetados, em uma das piores catástrofes naturais da história do Brasil.
Em 2022, outro forte temporal deixou 241 mortos na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro.
Especialistas relacionaram a maioria desses eventos aos efeitos das mudanças climáticas.
M.Carneiro--PC