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Após incêndios, milhares de pessoas retornam para casa na Espanha e na França
Dezenas de milhares de pessoas que abandonaram suas casas devido aos grandes incêndios que devastaram a Espanha e a França começaram a retornar nesta quarta-feira (29), enquanto bombeiros e autoridades moderavam o otimismo em meio à chegada de uma nova onda de calor.
Após dias de angústia com as chamas que consumiram mais de 120 mil hectares nos dois países, moradores e turistas desabrigados retornaram às suas cidades para encontrar, em alguns casos, suas casas destruídas e, em outros, o alívio de saber que não haviam perdido tudo.
"Não tenho dinheiro, não tenho documentos, não tenho casa", disse José Fernández à AFP ao se deparar com os móveis queimados, paredes parcialmente desabadas e montanhas de cinzas no que antes era sua casa em Pelayos de la Presa, perto de Madri.
"Tudo se foi", lamentou o aposentado de 74 anos, com os olhos marejados, enquanto caminhava pelos restos carbonizados de 35 anos de vida.
As autoridades suspenderam a ordem de evacuação, mas a cidade ainda estava parcialmente vazia. Quase 15 famílias perderam suas casas para o "monstro" do fogo, disse o prefeito Antonio Sin.
Desde terça-feira, cerca de 24 mil pessoas começaram a retornar para suas casas na região de Madri e na província de Ávila, epicentros dos incêndios, que estão entre os maiores já registrados na Espanha.
Embora a situação dos incêndios florestais pareça ter se estabilizado nesta quarta-feira, as autoridades francesas e espanholas alertam que o calor intenso e o vento previstos para o dia ameaçam alimentar novos focos.
Os incêndios são consequência do aumento da inflamabilidade das florestas e da vegetação devido à seca e às ondas de calor excepcionais que ocorrem desde junho, resultado das mudanças climáticas.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que as próximas 12 horas serão "decisivas" para conter os incêndios perto de Madri.
Em outra cidade afetada, Susana Barrul, uma dona de casa de 39 anos, não esconde a felicidade após retornar ao seu terreno, que permaneceu intacto, em Aldea del Fresno.
"Estamos felizes por estarmos de volta. Estamos tentando voltar à normalidade", disse ela à AFP, feliz por cozinhar e fazer café enquanto retoma sua rotina com os filhos, embora "a cidade ainda pareça uma cidade fantasma".
- França também conta os danos -
Na França, dezenas de milhares de pessoas também foram autorizadas a retornar para suas casas na região vinícola de Bordeaux, afetada pelo maior incêndio florestal no país desde 1949, com 42 mil hectares queimados e mais de 220 mil deslocados.
O enorme incêndio que forçou a retirada de até 220 mil pessoas na região de Gironde (sudoeste) permanecia "estabilizado" na manhã desta quarta-feira, após uma segunda noite de calmaria, apesar do retorno das temperaturas mais altas, informou a Prefeitura.
"É hoje que estamos com medo", disse à AFP Jérémy Presi, voluntário em um posto improvisado de distribuição de água ao norte de Marcheprime, cidade cerca de 30 km a oeste de Bordeaux.
Mas ir embora não é uma opção. "Eles, os turistas, podem entrar em seus carros e ir embora. Esta é a nossa casa", disse ele em meio à densa fumaça que obscurecia a estrada.
A Prefeitura afirmou que "a área queimada não aumentou" nas últimas horas. No entanto, o número de bombeiros feridos subiu para 126, dezesseis a mais que no dia anterior.
As condições meteorológicas permaneceram desfavoráveis nesta quarta-feira devido ao aumento das temperaturas, que podem atingir 41°C no interior e 38°C na costa.
Os ventos secos também persistiram, com rajadas que podem atingir os 45 km/h no final do dia.
Diante das condições, os bombeiros de Gironde alertaram para "um risco extremamente alto de reativação dos incêndios" ao longo do dia.
F.Ferraz--PC