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Biden chega a Manaus para visita histórica à Amazônia
Joe Biden desembarcou neste domingo (17) em Manaus para a primeira viagem à floresta amazônica de um presidente em exercício dos Estados Unidos, mas a visita será ofuscada pelas promessas do presidente eleito, Donald Trump, de reverter suas políticas ambientais.
O avião do democrata pousou pouco depois de meio-dia (horário local) na capital do estado do Amazonas, onde ele se encontrará com líderes indígenas e locais que trabalham para proteger a Amazônia, considerada uma região crucial na luta contra o aquecimento global por sua capacidade de absorver CO2.
Biden, 81 anos, deveria seguir imediatamente para um passeio aéreo pela Amazônia e depois visitar um museu.
A visita foi precedida por um anúncio simbólico: a Casa Branca informou que o governo dos Estados Unidos aumentou sua contribuição bilateral para financiar a luta contra as mudanças climáticas a 11 bilhões de dólares (R$ 63,6 bilhões) anuais em 2024.
O valor faz de Washington "o maior contribuinte bilateral em financiamento climático no mundo", afirmou o governo americano em um comunicado.
O anúncio acontece no momento em que os participantes na conferência do clima COP29 de Baku discutem sobre quem deve financiar a luta contra a crise ambiental.
"Nenhum país deveria se vangloriar de ser o maior financiador bilateral. O que importa é a contribuição total, e os Estados Unidos nunca alcançaram sua parte justa", reagiu à AFP Friederike Roder, da ONG Global Citizen.
- A floresta em perigo -
Entre outras medidas, Biden também anunciará em Manaus que os Estados Unidos dobrarão, a 100 milhões de dólares (R$ 579 milhões), sua contribuição para o Fundo Amazônia, que gerencia recursos de países e organizações internacionais para preservar a maior floresta tropical do planeta.
A visita acontece enquanto o mundo se prepara para o retorno do ex-presidente republicano Donald Trump à Casa Branca em 20 de janeiro.
O magnata prometeu reverter as políticas de Biden e pode retirar os Estados Unidos dos esforços internacionais para limitar o aquecimento global a 1,5 grau Celsius acima do período pré-industrial.
Biden levou o país, o segundo maior emissor de gases do efeito estufa do mundo, de volta ao histórico Acordo de Paris após Trump ter retirado os Estados Unidos do pacto durante seu primeiro mandato (2017-2021), mas o presidente eleito prometeu abandoná-lo novamente.
A Amazônia, que se estende por nove países, a maior parte no território do Brasil (60%), é uma das áreas mais vulneráveis às mudanças climáticas e à degradação ambiental.
A bacia do Amazonas, que geralmente é um dos lugares mais úmidos do planeta, registrou os piores incêndios em quase duas décadas, enquanto a América Latina enfrenta uma grave seca, segundo o observatório Copernicus da UE.
Um estudo recente da rede de monitoramento Raisg revela que a floresta amazônica perdeu em quatro décadas uma área de tamanho semelhante ao território da Colômbia. Especialistas alertam que a região se aproxima de ponto de não retorno de 'savanização'.
- Próxima parada: G20 -
Biden chegou a Manaus como parte de uma viagem pela América do Sul que provavelmente será a última grande visita ao exterior de seu mandato. No sábado, ele se reuniu com o presidente chinês Xi Jinping em Lima (Peru), ao final da cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).
Após a visita histórica à Amazônia, Biden viajará para o Rio de Janeiro, onde participará da reunião de cúpula do G20 na segunda e terça-feira, evento que será marcado pelo retorno de Trump ao poder e pela COP29 de Baku.
O americano terá um almoço com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que assumiu o compromisso de acabar com o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030.
No Rio, ele também se encontrará com um dos aliados do republicano na região: o presidente da Argentina, o ultraliberal Javier Milei, que, assim como Trump, é cético em relação às mudanças climáticas e ao multilateralismo.
Especialistas alertaram que uma segunda presidência de Trump provocaria atrasos na transição para a energia verde que Biden estimulou, acabando com as esperanças de alcançar metas climáticas cruciais nos próximos anos.
Durante a campanha, Trump prometeu "perfurar" e aumentar a exploração de combustíveis fósseis. Ele ironizou a mudança climática alguns dias antes das eleições americanas.
Uma saída dos Estados Unidos dos acordos climáticos poderia minar consideravelmente a ação mundial para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, o que daria a outros grandes poluidores, como China e Índia, uma desculpa conveniente para reduzir suas metas.
A.Motta--PC