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Inundações deixam mais de 300 mortos no sudeste da Ásia
O balanço das inundações que afetam o Sudeste Asiático aumentou consideravelmente nesta sexta-feira (28), ao superar a marca de 300 mortos, com pelo menos 145 óbitos na Tailândia e 174 na Indonésia.
As mesmas cenas se repetem na Indonésia, Malásia, Sri Lanka e Tailândia: cidades submersas, moradores isolados e deslizamentos de terra provocados pelas chuvas intensas que afetam a região há vários dias.
Na Tailândia, o porta-voz do governo, Siripong Angkasakulkiat, informou que o número de mortos nas províncias do sul subiu para 145, com mais de 100 óbitos apenas em Songkhla.
O balanço, que até quinta-feira era de 55 mortos, quase triplicou em apenas um dia.
O sul do país é o mais afetado. No distrito de Hat Yai, os habitantes foram obrigados a subir nos telhados de suas casas para aguardar o resgate em embarcações.
Na província de Songkhla, com o maior número de vítimas, o necrotério de um hospital estava sobrecarregado, declarou à AFP Charn, diretor do estabelecimento que revelou apenas o primeiro nome.
Na quinta-feira, os moradores relataram a enchente súbita. "A água atingiu o teto do segundo andar", contou Kamban Wongpanya, 67 anos, resgatado de barco.
Chayaphol Promkleng, comerciante, acreditou em um primeiro momento que sua loja escaparia do desastre, porque a água estava na altura dos tornozelos. Porém, no dia seguinte, o nível alcançou sua cintura e ele foi obrigado a fugir.
Nesta sexta-feira, o governo nacional suspendeu o administrador do distrito de Hat Yai por sua resposta insuficiente à emergência.
- Indonésia -
Na ilha indonésia de Sumatra (oeste do país), as inundações e deslizamentos de terra deixaram pelo menos 174 mortos e 80 desaparecidos.
Suharyanto, diretor da agência nacional de gestão de desastres (BNPB), alertou que o número de mortos pode seguir aumentando porque "algumas áreas ainda estão inacessíveis". O balanço anterior no país era de 111 vítimas fatais.
"A prioridade é resgatar e dar assistência à população. Esperamos que o tempo melhore para enviar um helicóptero", explicou Ferry Walintukan, porta-voz da polícia do norte de Sumatra. Os acessos por estrada permanecem bloqueados.
Na região de Sumatra Ocidental, Misniati, 53 anos, relatou a luta contra a enchente para se reunir com seu marido.
"Vi a rua inundada. Tentei voltar para avisá-lo, mas a água já chegava na altura da minha cintura", disse à AFP.
Ela lutou contra a correnteza que ameaçava arrastá-la e chegou em casa com a água na altura do peito. "Passamos a noite em claro, atentos ao nível da água", afirmou.
No Sri Lanka, as autoridades mobilizaram o Exército para ajudar as vítimas das inundações e deslizamentos de terra que deixaram 56 mortos e 21 desaparecidos.
Entre os falecidos, 26 foram soterrados em deslizamentos de terra no distrito de Badulla, no centro do país, segundo o Centro Nacional de Gestão de Desastres (DMC).
As tempestades ainda afetam a ilha, onde algumas regiões registraram até 360 milímetros de chuva nas últimas 24 horas.
Os países do Sudeste Asiático sofrem com inundações e deslizamentos de terra durante a temporada de chuvas, que vai de novembro a abril.
Desta vez, as chuvas de monção foram agravadas por uma tempestade tropical que atingiu a região.
As mudanças climáticas tornaram as tempestades mais severas, com chuvas torrenciais, enchentes repentinas e ventos mais violentos.
O aumento da temperatura favorece o acúmulo de umidade e episódios de chuva extrema, enquanto o aquecimento dos oceanos amplifica a intensidade das tempestades.
Para Uli Arta Siagian, diretora da ONG ambiental indonésia WALHI, o desenvolvimento excessivo também é responsável pelas inundações e deslizamentos de terra.
"Se a cobertura florestal continuar diminuindo e for substituída por monoculturas de palma de óleo, mineração ou outras atividades, nosso sistema ecológico perderá a capacidade de regular a água", alertou.
Na Malásia, as inundações que devastaram vastas áreas do norte do estado de Perlis provocaram duas mortes.
A.Motta--PC