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Chile enfrenta incêndios mortais que avançam no sul do país
Os bombeiros lutam nesta segunda-feira (19) para controlar os incêndios florestais que já provocaram a morte de 19 pessoas e destruíram povoados inteiros, com a emergência de novos focos em outra região do sul do Chile.
Nas regiões de Ñuble e Biobío, cerca de 500 km ao sul de Santiago, bombeiros lutam pelo terceiro dia contra as chamas que consumiram aproximadamente 35.000 hectares. Cerca de 1.000 casas foram destruídas ou danificadas.
"Conseguimos controlar ou delimitar parte dos incêndios. Alguns continuam bastante ativos e estão sendo combatidos intensamente", disse o presidente Gabriel Boric na tarde desta segunda, ao fazer um balanço na região de Ñuble.
No entanto, o presidente advertiu que foram registrados "novos focos na região de Araucanía e isso implica necessariamente dividir forças".
Araucanía é vizinha a Biobío, a região mais afetada pelas chamas até agora, que arrasaram quase por inteiro localidades como Lirquén e Penco, onde já não se observava focos de atividade intensa.
Na madrugada de domingo, as chamas avançaram aqui rapidamente.
"Foi horrível. Tentei molhar o máximo que pude a casa, mas vi que as chamas vinham em direção ao meu setor. Peguei meu filho, meu irmão tirou meu cachorro, e fugimos", contou Yagora Vásquez à AFP em Lirquén, pequeno povoado portuário que se transformou em um dos epicentros da tragédia.
Militares vigiam algumas áreas completamente devastadas pelas chamas, em uma paisagem de destruição desoladora, com ruas cheias de carros carbonizados e casas reduzidas a escombros.
- 'Uma onda de fogo' -
Dezenove pessoas morreram até agora, em sua maioria nas localidades de Penco e Lirquén, presas pelas chamas.
Em Lirquén, os moradores não hesitam em comparar os incêndios ao que ocorreu em fevereiro de 2010, quando um tsunami devastou a região e deixou mais de 500 vítimas em todo o país.
"Isto é muito pior, muito mais devastador. No terremoto o mar avançou, houve destruição, mas comparado com isso não é nada", lamenta Marelí Torres, de 53 anos.
Após o tsunami, Torres e sua família deixaram a casa na costa "para evitar tudo o que tinha a ver com o mar, porque sempre diziam que viria outro tsunami mais forte".
Mas, 16 anos depois, a moradia onde vivia, no alto de um morro, foi destruída por "uma onda de fogo, não de água".
- Temperaturas sem precedentes -
Na região, as temperaturas ficaram em torno de 25°C nesta segunda, inferiores as de sábado e domingo.
Em Lirquén, as vias de acesso estavam congestionadas nesta segunda por moradores que tentavam retornar ao que restou de suas casas para limpar os escombros.
O aposentado Raúl Muñoz, de 67 anos, recolhia os destroços do que foi sua casa. Ele mantém a esperança de se reerguer, embora acredite que, após essa tragédia, sua "comunidade não vai voltar a ser como era".
Nos últimos anos, os incêndios florestais atingiram com força o Chile, especialmente a região centro-sul.
Na Patagônia Argentina, incêndios queimaram mais de 15.000 hectares.
Há dois anos, vários focos se iniciaram simultaneamente nos arredores da cidade de Viña del Mar, 110 km a noroeste de Santiago, com um saldo de 138 mortos.
O aumento das temperaturas e as condições de seca que atingem o centro e o sul do Chile há mais de uma década "facilitaram a propagação do fogo", segundo o Centro de Ciência do Clima e da Resiliência.
Em regiões do sul chileno, foram registradas temperaturas "sem precedentes" de 41°C.
Nesta segunda-feira, o presidente Boric reuniu-se no palácio presidencial de La Moneda, em Santiago, com o presidente eleito José Antonio Kast, que assume o governo em 11 de março.
Boric afirmou que conversou com Kast sobre as ações de controle do fogo e a posterior reconstrução que caberá ao futuro governo conduzir.
A.Aguiar--PC