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Contornar a Rússia, fonte de tensão para indústria da aviação
Com o aumento das viagens entre Ásia e Europa, o fechamento do espaço aéreo russo está prejudicando as companhias aéreas ocidentais, mas, ao mesmo tempo, é uma bênção para as empresas de nações não alinhadas e não sujeitas à ira de Moscou.
Para as companhias banidas do espaço aéreo russo, contornar um território que se expande por 11 fusos horários na Europa e na Ásia é uma proposta cara.
Contornar a Rússia significa cobrir distâncias maiores e tempos de voo mais longos.
A rota Paris-Pequim passando sobre território russo é de aproximadamente 8.400 quilômetros, enquanto a que desvia da Rússia pelo sul soma 9.800 quilômetros, segundo informações do site Flightradar24. Isso significa mais duas horas de voo.
Com aumento de despesas com combustível e pessoal, essa viagem "fica muito mais cara", assinalou à AFP Benjamin Smith, executivo-chefe da Air France-KLM. "É um grande problema para nós", acrescentou.
- 'Desvantagem competitiva' -
As restrições de espaço aéreo são recíprocas, o que significa que os voos entre Moscou e Havana precisam contornar a Noruega pelo norte para evitar o espaço aéreo de países da União Europeia e da Otan, que baniram as companhias russas na esteira da invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022.
Mas esses voos são insignificantes se comparados aos 10 milhões de turistas chineses que visitaram a Europa em 2019, antes da pandemia de covid-19.
Quando a Rússia fechou seu espaço aéreo às companhias de países considerados hostis por Moscou no fim de fevereiro de 2022, não houve muito impacto, pois a continuidade das restrições pela covid-19 na China provocou uma queda considerável no número de viagens entre a Ásia e o resto do mundo.
No entanto, com a reabertura no gigante asiático, a situação mudou.
Em abril, o número de passageiros nessas rotas triplicou em comparação com o mesmo período de 2022, segundo Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês), que realiza esta semana sua conferência anual em Istambul, na Turquia.
Nesse sentido, as companhias ocidentais reclamam que estão sendo prejudicadas em relação às dos países que têm a possibilidade de sobrevoar o espaço aéreo russo.
Para a associação comercial Airlines for America, que representa as companhias aéreas dos EUA, o fato de haver "companhias estrangeiras autorizadas a sobrevoar o espaço aéreo russo coloca as companhias americanas em desvantagem competitiva direta".
"Queremos que as companhias que têm o direito de voar para França ou Holanda respeitem os mesmos regulamentos que nós", acrescentou Smith, advertindo que a Air France-KLM corre o risco de ser "expulsa" dessas rotas se a situação permanecer como está.
Além das companhias aéreas chinesas, as do Golfo - Emirates e Qatar Airways - continuam a desfrutar do direito de sobrevoar a Rússia, assim como as de Egito, Índia e Turquia.
Por sua vez, a IATA, que tem entre as companhias associadas tanto as que estão na lista proibida como as que continuam sobrevoando a Rússia, prefere ficar à margem dessa discussão.
"Gostaríamos que o espaço aéreo russo estivesse aberto a todos", disse o diretor-geral da organização, Willie Walsh. "Gostaríamos que todos pudessem competir em igualdade de condições, mas esta é uma decisão política que só pode ser tomada com a volta da paz", acrescentou.
E.Borba--PC