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Carta de Napoleão enviada de Moscou 'em chamas' está à venda nos EUA
Uma carta de Napoleão Bonaparte datada de 1812, escrita em uma Moscou "consumida pelas chamas", destaca-se em uma série de 11 missivas do imperador francês à venda nos Estados Unidos, em um momento em que o interesse por esse personagem polêmico ressurge com o lançamento do novo filme de Ridley Scott.
"Hoje percorri os bairros principais. Era uma cidade espetacular; digo 'era' porque hoje mais da metade foi consumida pelas chamas", escreveu Bonaparte neste documento histórico de 18 de setembro de 1812, quatro dias após a entrada das tropas francesas em Moscou. A carta está à venda por 55.000 dólares (269.590 reais, na cotação atual).
As cartas foram escritas por Napoleão entre 23 de outubro de 1793 e 21 de janeiro de 1814.
Entre os conteúdos estão detalhes sobre a incursão militar contra o Império Russo, as instruções dadas ao VIII batalhão para invadir a Espanha e a preparação de uma reunião de ministros para assinar secretamente o Tratado de Fontainebleau (1807), que estipula a invasão conjunta franco-espanhola de Portugal, resultando na subsequente ocupação da península ibérica por tropas francesas.
Também há uma carta ao chefe de artilharia em que Napoleão anuncia o fim da bem-sucedida missão para capturar a cidade francesa de Toulon, que o lançou à fama como um estrategista militar habilidoso.
Esses registros escritos a mão pela polêmica figura do imperador conhecido como Napoleão I (1804-1814 e 1815) estão à venda desde a semana passada na casa especializada em documentos antigos Raab Collection, na cidade de Filadélfia, estado da Pensilvânia, berço da Revolução e da democracia nos Estados Unidos no final do século XVIII.
"Esta carta de Moscou é tão rara que é extraordinária", disse à AFP o presidente da Raab Collection, Nathan Raab, antiquário especializado nesse tipo de manuscrito.
- Até 75 mil dólares -
O valor das cartas varia entre 5.000 e 75.000 dólares (24.488 e 367.320 reais), aos quais devem ser adicionados custos, comissões e impostos.
Com uma caligrafia inclinada para a frente, às vezes difícil de decifrar, Napoleão relata detalhes de sua campanha de Moscou: "Encontramos armazéns cheios de vinho e aguardente, que serão de grande valia para nós", escreveu.
Ele ordenou a incursão contra a Rússia Imperial com a maior força militar europeia já reunida até então, em 1812, quando o líder francês estava no auge de seu sucesso e prestígio. Assim, o "Grande Armée", com mais de 600.000 efetivos, procedeu à invasão.
Cerca de um milhão de soldados e civis morreram no decorrer da invasão, que acabou em uma paz negociada e um fracasso para os interesses de Napoleão.
"Napoleão é uma figura enorme que goza de uma imensa admiração dos americanos. Ele é considerado um imperador com uma liderança forte", explicou Raab sobre o interesse pelos documentos, ao mesmo tempo em que alertou que seu legado "não é preto ou branco, é muito cinzento".
É evidente que o filme "Napoleão" do diretor Ridley Scott, que estreia nesta quarta-feira em todo o mundo, "atrai a atenção internacional", aponta Raab.
No domingo, um chapéu de duas pontas pertencente a Napoleão foi leiloado na França por um preço recorde de quase 2 milhões de euros (10,2 milhões de reais).
M.A.Vaz--PC