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Oposição derrota reforma migratória de Macron na França
A oposição francesa, da esquerda radical à extrema direita, rejeitou debater na Assembleia Nacional (câmara baixa) a reforma migratória proposta pelo presidente centrista, Emmanuel Macron, que busca facilitar as expulsões e melhorar a integração, nesta segunda-feira (11).
Com 270 votos a favor e 265 contra, os deputados aprovaram uma moção inicial de rejeição apresentada pelos ecologistas, com o apoio da esquerda radical, socialistas, comunistas, assim como da direita e extrema direita.
No entanto, a rejeição tem diversos motivos. Para a direita e a extrema direita, as medidas eram insuficientes para deter a chegada de migrantes. Para a esquerda, a reforma endurecia sua acolhida e buscava "privá-los de dignidade".
"É claro que este texto merece ser aprimorado e que a mão do governo está estendida em prol do interesse geral", enfatizou em vão o ministro do Interior, Gérald Darmanin, em um apelo velado aos deputados dos Republicanos (direita).
Agora, o governo pode permitir que a reforma prossiga seu curso legislativo no Senado (câmara alta), onde uma primeira análise já a endureceu, ou em uma comissão mista que reúne senadores e deputados, ou decidir abandoná-la.
Na noite desta segunda-feira, Darmanin foi ao Palácio do Eliseu, sede da presidência, para se reunir com Macron, que rejeitou sua demissão e pediu que ele encontrasse uma maneira de superar o "bloqueio", informou o entorno do presidente.
Além da reforma, a votação representa um revés para Darmanin, que nos últimos dias recuou em sua ambição de ser o candidato governista à presidência em 2027 e anunciou apoio ao ex-primeiro-ministro Edouard Philippe, "o melhor posicionado" para derrotar a ultradireitista Marine Le Pen.
"Estamos protegendo os franceses", comemorou Le Pen, que, junto com a direita, tinha como alvo derrubar a proposta de regularizar os trabalhadores sem documentos em setores com escassez de mão de obra.
A França tem 5,1 milhões de estrangeiros em situação regular, o que representa 7,6% da população, e acolhe mais de meio milhão de refugiados. Além disso, há entre 600 mil e 700 mil migrantes em situação irregular, de acordo com as autoridades.
E.Borba--PC