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Maduro quer abordar com Ali 'ameaça' dos EUA na controvérsia Venezuela-Guiana
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse, nesta segunda-feira (11), que pretende abordar com seu contraparte guianense, Irfaan Ali, as "ameaças" que, em sua avaliação, representam o "envolvimento" dos Estados Unidos na controvérsia territorial que os dois países têm há mais de um século.
"Aspiro a que neste encontro de alto nível possamos abordar as principais ameaças à paz e à estabilidade dos nossos países, entre elas o envolvimento do Comando Sul dos Estados Unidos, que iniciou operações no território em controvérsia", informou o presidente venezuelano em carta publicada em sua conta no X, antigo Twitter.
A presença dos Estados Unidos na Guiana é contrária "à nossa aspiração de manter a América Latina e o Caribe como uma zona de paz, livre de conflitos, sem interferência de interesses alheios", acrescentou Maduro, cujo governo tem denunciado Ali por dar "luz verde" a bases americanas no país.
Maduro e Ali vão se reunir em São Vicente e Granadinas na próxima quinta-feira (14), às 14h GMT (11h de Brasília), um encontro promovido pela Comunidade de Estados Latino-americanos e do Caribe (CELAC) e pela Comunidade do Caribe (CARICOM).
O encontro ocorre em meio ao recrudescimento das tensões pelo Essequibo, um território de 160 mil km2, rico em petróleo e outros recursos naturais, administrado por Georgetown.
Em 3 de dezembro passado, o governo de Maduro realizou um referendo consultivo, no qual aprovou-se uma proposta para criar na zona uma província venezuelana - estado da Guiana Essequiba - e dar a nacionalidade venezuelana a seus habitantes. O presidente deu três meses às petroleiras presentes no local para se retirarem dali.
Ali qualificou os anúncios como "uma ameaça direta" e sua administração levou o caso ao Conselho de Segurança da ONU e também estreitou contatos com os Estados Unidos, que fizeram exercícios militares no último dia 7 no Essequibo.
"Estou firme em que a controvérsia (territorial) está na Corte Internacional de Justiça (CIJ) e não é para negociações, e isso não vai mudar", disse Ali à AFP.
"Vamos continuar trabalhando com nossos parceiros nos numerosos exercícios conjuntos que temos e promoveremos todos os investimentos que temos em todos os condados de todas as regiões deste país, que continuam e continuarão sendo seguras", assegurou Ali.
- "Muitas expectativas" -
Maduro irá com "muitas expectativas" à reunião de quinta-feira em São Vicente e Granadinas com seu par da Guiana, Irfaan Ali, disse mais cedo o chanceler venezuelano, Yván Gil.
Eventuais "fórmulas" de "cooperação em matéria petrolífera e gasífera" podem estar na mesa, declarou Gil em um encontro com a imprensa internacional.
"Vamos a São Vicente com muitas expectativas, com muita alegria e com muita esperança de paz, de conciliação, de trabalho", afirmou o ministro das Relações Exteriores, ressaltando que a Venezuela trabalhou "com todos os governos que estiveram na Guiana até 2015", ano em que a gigante americana ExxonMobil descobriu vastos campos de petróleo em águas disputadas.
Maduro denunciou a "atitude arrogante e ilegal da transnacional petroleira americana ExxonMobil, que tem sido beneficiária de concessões petroleiras em uma área marítima a delimitar, o que contravém flagrantemente o Direito Internacional".
"O diálogo deve colocar fim a essa escalada", espera Gil. "A simples convocação e aceitação para comparecer ao diálogo já é um profundo sucesso".
Gil lembrou os acordos do Petrocaribe, pelos quais a Venezuela fornece petróleo a preços preferenciais a países caribenhos, e convênios gasíferos com Trinidad e Tobago, classificando-os como "exemplos concretos" que podem servir "para futuros acordos com a República Cooperativa da Guiana".
A Venezuela afirma que o Essequibo faz parte de seu território, como em 1777, quando era colônia espanhola. Recorre ao acordo de Genebra, firmado em 1966, antes da independência da Guiana do Reino Unido, que assentava bases para uma solução negociada e anulava um laudo de 1899.
A Guiana, por outro lado, defende esse laudo e quer que seja ratificado pela Corte Internacional de Justiça (CIJ).
A.Aguiar--PC