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Copom reduz Selic em 0,5 ponto percentual, a 11,75%
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB) voltou a cortar a Selic, sua taxa básica de juros, em 0,5 ponto percentual, nesta quarta-feira (13), a 11,75%, devido à "trajetória de desinflação" observada na economia.
Trata-se do quarto corte consecutivo adotado pelo Copom, que informou sua decisão em um comunicado ao final de sua última reunião do ano, alinhada com as expectativas do mercado.
"A conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento, [...] demanda serenidade e moderação na condução da política monetária", destacou o Copom.
O comitê do BCB reforçou sua postura de "perseverar com uma política monetária contracionista até que" se consolidem a baixa de preços e as expectativas em torno das metas de inflação.
Assim, a instituição continua com o ritmo gradual de cortes iniciado em agosto, quando a taxa Selic estava em 13,75%. Ela havia permanecido estacionada nesse nível por um ano, após vários aumentos desde março de 2020 para conter a alta da inflação.
A decisão desta quarta-feira havia sido antecipada pelo Copom em sua reunião de novembro e está alinhada com as projeções do mercado compiladas na pesquisa Focus do BCB, divulgada na segunda-feira.
- Disputa entre governo e BCB -
Com esse novo movimento, o primeiro ano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerra com a menor taxa desde maio de 2022.
No entanto, a Selic está longe dos desejos de Lula, que na terça-feira voltou a insistir em cortes maiores, ao se propor "mexer com o coração do presidente do Banco Central", Roberto Campos Neto, para que as pessoas possam "tomar o dinheiro emprestado".
As autoridades do BCB têm descrito uma inflação mais "benigna". No entanto, continuam implementando uma redução lenta na Selic.
Até novembro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 4,68% em doze meses, situando a inflação dentro da faixa meta de 1,75%-4,75% ao ano. O mercado projeta que a inflação encerrará o ano em 4,51%.
Com a taxa em 11,75%, o Brasil cai para a segunda posição no ranking mundial de juros reais (descontando a inflação projetada para 12 meses), atrás apenas do México, de acordo com o site especializado MoneYou.
Apesar das taxas elevadas, o Brasil cresceu mais do que o esperado este ano, com um PIB que se expandiu 3,2% entre janeiro e setembro em comparação com o mesmo período de 2022.
Mas o resultado do terceiro trimestre acendeu alarmes: o crescimento foi de 2% em relação ao mesmo período do ano anterior e apenas 0,1% sobre os três meses anteriores.
- Compromisso fiscal -
O Copom acompanha de perto a situação fiscal do país e ressaltou nesta quarta a "importância da firme persecução dessas metas" já estabelecidas.
Na terça-feira, Lula afirmou: "Eu quero estabilidade fiscal, brigo por ela, já provei que sou capaz, mas eu quero estabilidade social."
O presidente semeou dúvidas sobre o compromisso de seu governo com as contas públicas, ao tentar recentemente modificar a meta de déficit zero em 2024, embora sem sucesso.
O comitê do BCB considerou, na frente externa, uma "maior persistência das pressões inflacionárias globais" como fator de risco que poderia alimentar a inflação.
O Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), entretanto, deixou nesta quarta-feira sem mudanças suas taxas de juros, em 5,25-5,50%, e espera realizar cortes para levá-las a 4,6% em 2024.
A.Magalhes--PC