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Petroecuador declara 'força maior' em campo amazônico por protestos indígenas
A petrolífera estatal do Equador, Petroecuador, declarou nesta sexta-feira (29) estado de "força maior" em um campo petrolífero localizado na reserva amazônica Yasuní, devido a protestos de indígenas da etnia waorani que afetaram a produção.
Os protestos desses integrantes da comunidade Kawymeno, que começaram em 25 de dezembro, resultaram na "redução de cerca de 17.000 barris de petróleo por dia" desde a última quarta-feira, causando "prejuízos econômicos ao país", afirmou a Petroecuador em comunicado.
Essa declaração é uma medida que busca evitar sanções por possíveis descumprimentos de contratos com seus compradores devido a essas manifestações. Dessa forma, a empresa notificou "imediatamente as empresas contratadas" e as instituições públicas de sua difícil situação, disse a companhia.
"O prazo de duração da Força Maior estará sujeito aos processos de diálogo e acordos que forem concretizados com a comunidade", acrescentou a estatal.
Na quarta-feira, a Petroecuador evacuou funcionários e contratados que estavam no campo Ishpingo, localizado na província de Orellana (nordeste), onde começaram os protestos.
Ishpingo, junto com os campos Tiputini e Tambococha, faz parte do Bloco 43-ITT, localizado dentro da reserva natural de Yasuní. Em um referendo realizado em agosto, os equatorianos decidiram pela suspensão das atividades petrolíferas deste bloco, para o qual o governo deve desmantelar a infraestrutura.
As autoridades do Equador, um país dependente da venda de petróleo, estimam perdas de 16,47 bilhões de dólares (79,92 bilhões de reais, na cotação atual) em 20 anos pela suspensão da exploração do bloco 43.
A Petroecuador não especificou a origem do conflito, mas afirmou que "realizará as ações pertinentes dentro de suas competências para o desenvolvimento das obras de compensação social".
Em março, a estatal também foi obrigada a declarar por 10 dias o estado de "força maior" devido a protestos dos indígenas kichwas que impediam a extração de petróleo na província de Orellana.
Até esta quinta-feira, a produção diária de petróleo do Equador foi de cerca de 476.000 barris.
O Equador produziu em 2022 cerca de 481.000 barris diários de petróleo, seu principal produto de exportação.
T.Resende--PC