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Déficit comercial dos EUA cai em 2023 ao menor nível em três anos
O déficit comercial dos Estados Unidos diminuiu em 2023 ao seu menor nível em três anos, segundo dados do governo divulgados nesta quarta-feira (7), com a particularidade de mais compras de bens do México do que da China pela primeira vez em cerca de duas décadas.
Os últimos números se somam a uma série de notícias econômicas positivas para o presidente Joe Biden, que vem trabalhando para destacar sua gestão da economia à medida que sua campanha pela reeleição nas presidenciais de novembro ganha impulso.
No ano passado, o déficit situou-se em 773,4 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 3,74 bilhões, em cotação da época), uma redução de 18,7% em relação aos 951,2 bilhões de dólares registrados em 2022 (R$ 4,96 bilhões), segundo informação divulgada pelo Departamento de Comércio americano.
Em 2022, o país registrou seu maior déficit, segundo dados do governo desde 1960.
Mas os últimos números mostraram uma queda do déficit de bens no ano passado, com uma redução das importações de bens superior à das exportações.
Enquanto isso, as exportações de serviços aumentaram.
A surpreendente resistência do consumo no ano passado ajudou a sustentar a economia americana, mas os analistas esperam que o impacto do aumento das taxas de juros se faça sentir, reduzindo os gastos de consumidores e aumentando a pressão sobre as importações.
Em dezembro, o déficit subiu levemente em relação a novembro, acrescentou o Departamento de Comércio.
O déficit foi de 62,2 bilhões de dólares no último mês do ano (R$ 301 milhões), US$ 300 milhões (R$ 1,45 bilhão) a mais que os 61,9 bilhões de dólares (R$ 299 bilhões) revistos de novembro. Isto se deu em um contexto de aumento tanto das exportações quanto das importações.
"O déficit comercial em termos reais contribuiu positivamente para o crescimento no trimestre", disse o economista americano Matthew Martin, da Oxford Economics.
Ele acrescentou que os dados comerciais de dezembro confirmaram o que os analistas sabiam do informe do PIB do quarto trimestre.
- Comércio entre México e China -
Rubeela Farooqi, economista-chefe para os Estados Unidos da High Frequency Economics, disse, em nota, que "as perspectivas para os fluxos comerciais no futuro são provavelmente de moderação".
Isto se deve a "expectativas de uma demanda e um crescimento mais lentos no futuro, tanto no nível nacional quanto no exterior", acrescentou.
Os dados do Departamento de Comércio desta quarta-feira também mostraram que os Estados Unidos compraram em 2023 mais bens do México que da China pela primeira vez em aproximadamente duas décadas.
Isto ocorre em um momento em que Washington aplica um conceito que chama de "friendshoring", o que implica em diversificar as cadeias de abastecimento dos Estados Unidos entre aliados e parceiros, em meio a uma preocupação maior com a concorrência com a China e as tensões de segurança nacional entre as duas maiores economias do mundo.
Em 2023, o déficit de bens dos Estados Unidos com o México subiu para 152,4 bilhões de dólares (R$ 737,7 bilhões), enquanto com a China diminuiu para 279,4 bilhões de dólares (R$ 1,35 trilhão).
As importações a partir do México aumentaram em 20,8 bilhões de dólares (R$ 100 bilhões) para 475 bilhões de dólares (R$ 2,29 trilhões), enquanto o número correspondente à China diminuiu para 427,2 bilhões de dólares (R$ 2 trilhões) no ano passado.
E.Borba--PC