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Programas de diversidade somem de universidades em meio à guerra cultural nos EUA
A mais recente batalha das guerras culturais que dividem a sociedade americana está centrada nos programas de diversidade nos campi universitários, agora mais restritos ou proibidos em cada vez mais estados.
O debate opõe progressistas, que defendem a inclusão de minorias vítimas de desigualdades, e conservadores, que afirmam que as pessoas devem ser julgadas por seus méritos individuais, não pela cor de sua pele.
"A ideia de que a discriminação atual seja o remédio para a discriminação passada (...) é intrinsecamente errada", afirma Jordan Pace, um republicano da Câmara dos Representantes do estado da Carolina do Sul.
"Não gostamos da ideia de julgar as pessoas em função de características imutáveis, seja o gênero ou raça ou a altura ou que for", disse Pace, que acredita que os Estados Unidos são uma "sociedade hipermeritocrática".
Conhecidos como programas de "diversidade, equidade e inclusão" (DEI, na sigla em inglês), muitas universidades americanas têm prestado atenção especial nos estudantes pertencentes a minorias, sobretudo alunos negros, latinos e nativos americanos, como forma de tentar corrigir desigualdades de longa data.
Em junho de 2023, a Suprema Corte, de maioria conservadora, pôs fim ao sistema de ações afirmativas nas candidaturas universitárias, revertendo uma das principais conquistas do Movimento dos Direitos Civis da década de 1960.
Agora Pace quer que a Carolina do Norte siga o exemplo da Flórida e de uma dúzia de estados que eliminaram programas de ação afirmativa nos campi.
No início de março, a Universidade da Flórida encerrou os programas DEI e empregos relacionados como parte da repressão do governador republicano Ron DeSantis ao que ele chama de "ideologia woke".
Esta denominação é utilizada pelos conservadores para designar o que consideram a complacência da esquerda com as demandas das minorias.
- "Estão tentando se livrar de nós" -
"O principal grupo-alvo em todo o país (...) são os negros", afirma Ricky Jones, professor de estudos pan-africanos na Universidade de Louisville, no Kentucky.
Carlie Reeves, de 19 anos, foi a primeira pessoa de sua família a ingressar na faculdade e, quando chegou a Louisville, era "muito óbvio que os professores pensavam" que "não pertencia àquele grupo". "Eles não me viam como inteligente", diz, ressaltando o apoio que recebeu das lideranças dos programas DEI no campus.
Muitos estudantes de minorias estão na faculdade "100 por cento por causa do DEI", afirmou, dando como exemplo os estudantes negros beneficiados com bolsas de estudo para grupos étnico-raciais.
Mas no dia 15 de março, congressistas do Kentucky apresentaram uma nova proposta para restringir estes programas, o que levou Reeves a organizar um protesto no campus ao lado de outras lideranças.
"Senti que era meu dever informar aos estudantes: 'Ei, pessoal, essas pessoas estão literalmente tentando se livrar de nós no campus, precisamos fazer alguma coisa'", disse.
O Kentucky segue os passos de outros estados conservadores como Texas, Alabama e Idaho.
- "Um esquecimento muito perigoso"
"Estou muito preocupada", afirma Stephanie Anne Shelton, professora e diretora de diversidade na Faculdade de Educação da Universidade do Alabama.
Embora as disposições da nova lei estadual lhe permitam ministrar certos cursos de conscientização sobre a diversidade para futuros educadores, ela está preocupada com os riscos a conceitos como a "liberdade acadêmica".
Os republicanos frequentemente criticam a "teoria crítica racial", uma abordagem acadêmica que estuda como o racismo permeia os sistemas jurídicos e as instituições americanas de formas muitas vezes sutis.
O candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, pediu reformas a nível federal.
"No primeiro dia assinarei uma nova ordem executiva para cortar o financiamento federal a qualquer escola que promova a teoria racial crítica, a loucura transgênero e outros conteúdos raciais, sexuais ou políticos impróprios para nossos filhos", disse ele em um comício em Ohio.
Para Jones, as novas leis são "um retrocesso do relógio racial a nível local, estadual e nacional".
No futuro, acadêmicos negros evitarão estados como a Flórida e o Texas, o que representa "um esquecimento muito, muito perigoso".
J.Oliveira--PC