-
Manifestantes do Greenpeace protestam contra patrocinador olímpico
-
Brasil, à conquista de Hollywood
-
Aonishiki, lutador de sumô no Japão que fugiu da guerra na Ucrânia
-
Corte de internet vira instrumento de repressão cada vez mais frequente, diz executivo da Proton
-
Governo Trump investiga Nike por suposta discriminação contra pessoas brancas
-
Apresentadora americana pede prova de vida aos sequestradores da mãe
-
Ucrânia, Rússia e EUA prosseguem com negociações de paz nos Emirados Árabes Unidos
-
Leste de Cuba enfrenta apagão
-
Apresentadora americana suplica pela vida de sua mãe aos sequestradores
-
Coroa da imperatriz Eugénie, danificada em roubo no Louvre, será restaurada
-
Expira o último tratado de não proliferação nuclear entre EUA e Rússia
-
Indígenas protestam contra exploração de rios amazônicos para exportação de grãos
-
Apostas no Super Bowl enlouquecem com apresentação de Bad Bunny
-
Guterres considera fim do acordo nuclear entre EUA e Rússia um 'momento sério' para a paz
-
EUA e Irã terão conversas nucleares nesta semana em Omã
-
Lesionado, Shai Gilgeous-Alexander está fora do All-Star Game da NBA
-
Stuttgart vence Holstein Kiel (3-0) e se garante nas semifinais da Copa da Alemanha
-
City volta a vencer Newcastle e vai à final da Copa da Liga contra o Arsenal
-
Com golaço de Endrick, Lyon vence Laval (2-0) e vai às quartas da Copa da França
-
Governo Trump provoca 'erosão democrática' na América Latina, alerta ONG
-
Vítimas de tragédia em Mariana esperam justiça por 'um crime muito grande'
-
Hayes, do Lakers, é suspenso por empurrar mascote do Washington Wizards
-
Envolvido no Caso Epstein, chefe dos Jogos de Los Angeles 2028 é pressionado a renunciar
-
Rússia afirma que não está mais ligada ao tratado Novo Start
-
Martínez segue retido na Venezuela enquanto Corinthians aguarda
-
Principal cartel colombiano suspende diálogos de paz após acordo entre Petro e Trump
-
EUA anuncia retirada 'imediata' de 700 agentes de imigração de Minnesota
-
Pogba fica fora de lista de jogadores do Monaco para mata-mata da Liga dos Campeões
-
Panamá rejeita ameaça da China por anulação de contrato portuário no canal
-
Argentina escolhe Kansas City como base para Copa do Mundo de 2026
-
Após Musk, proprietário do Telegram critica premiê espanhol por seus planos para redes sociais
-
EUA anuncia alianças sobre terras raras com UE, Japão e México
-
Ataques israelenses deixam ao menos 25 mortos em Gaza
-
Após Musk, proprietário do Telegram critica Sánchez por seus planos para redes sociais
-
Homem que tentou matar Trump na Flórida em 2024 é condenado à prisão perpétua
-
Washington Post anuncia 'doloroso' plano de demissões
-
Documentário da Netflix analisa caso de Lucy Letby, enfermeira britânica condenada por matar bebês
-
Ucrânia diz que diálogo com Rússia em Abu Dhabi é 'produtivo'
-
Irã autoriza formalmente mulheres a pilotar motocicletas
-
'Ajoelhados, jamais': Venezuela relembra aniversário do golpe de Chávez
-
Restaurador apaga pintura polêmica com rosto de Giorgia Meloni
-
Desinformação sobre o câncer pode atrasar tratamento ou levar à morte
-
Centros de dados em órbita são uma possibilidade diante da demanda de energia para IA
-
Governo alemão recua e descarta boicote à Copa do Mundo de 2026
-
Principal cartel colombiano suspende negociações de paz após acordo entre Trump e Petro
-
Vítimas da tragédia em Mariana esperam justiça por um 'crime muito grande'
-
Aliança China-Rússia é um 'fator de estabilidade', disse Putin a Xi
-
Fenerbahçe acerta contratação de Kanté após intervenção do presidente da Turquia
-
Novo Start, o fim de um tratado nuclear de outra época
-
Arábia Saudita emitirá passaportes para camelos
Cidade de El Dorado, o retrato da eterna febre do ouro na Venezuela
Um comerciante pesa em uma balança digital o ouro em pó com o qual um cliente faz o pagamento. Esta é uma transação habitual em El Dourado, onde, como em muitas cidades mineradoras da Venezuela, compras cotidianas são pagas com o metal precioso.
Este povoado faz parte de uma região batizada pelo governo como Arco Mineiro do Orinoco, que tem grandes reservas minerais e é atravessada pelo garimpo ilegal e pelo crime organizado.
Na região é comum a cobrança de extorsões por parte de grupos criminosos que controlam as minas, conhecidos como "sindicatos", ou até mesmo grupos indígenas, também voltados para a mineração. Além disso, a região foi cenário de massacres: 217 pessoas foram assassinadas entre 2016 e 2020.
Os 35 gramas que marcam o peso equivalem a cerca de 3.000 dólares (aproximadamente 16 mil reais, na cotação atual), diz o comerciante. Um grama é vendido entre 85 e 100 dólares (entre 473 e 556,46 reais, aproximadamente).
El Dorado fica às margens do rio Cuyuní, uma fronteira natural onde começa o Esquibo, que a Venezuela disputa com a Guiana há mais de um século.
Um enxame de motocicletas barulhentas percorre sem parar as ruas empoeiradas do povoado.
"O ouro é uma bênção que nos é dada para comprar o que queremos, mas é preciso trabalhar duro", disse à AFP José Tobías Tranquini, um mineiro de 48 anos.
"Um dia na mina pode ser que você não consiga nada, há pessoas de sorte que conseguiram até um quilo, mas no tempo que estou aqui não recebi essa bênção, consegui apenas um pouco de cada vez", prosseguiu.
- Vida de garimpeiro -
El Dorado nasceu como um forte militar que combateu uma invasão inglesa em 1895. Seu nome é inspirado no mito da conquista espanhola, que não estava muito distante da realidade.
Os morados mais antigos contam que, quando chovia, podiam ver partículas de ouro emergirem entre as vias barrentas do povoado.
Hilda Carrero chegou há meio século a El Dorado, atraída como muitos outros pela febre do ouro.
Na época, o povoado era "tudo mato", diferente do burburinho de motocicletas de uma população que chega a cerca de 5 mil habitantes. "Aqui era feio", lembra esta mulher de 73 anos em sua pequena mercearia, onde vende garrafões d'água por três milésimos de ouro.
Um 'grama' tem 10 pontos, que por sua vez tem 10 milésimos. O galão de água custa o equivalente a um dólar e meio (8,34 reais).
"O que dá a vida ao povoado são os garimpeiros", destaca Carrero, que explica que em tempos de novas minas ou 'bullitas' "as pessoas se movem, todo mundo vende".
"Mas há momentos em que não há barulho e tudo se acalma", acrescenta. "Há dias em que não vendo nem sequer um garrafão".
É comum que os moradores usem colares ou brincos de ouro.
- Trabalho duro e perigoso -
O Arco Mineiro tem 112.000 km2 de extensão, com reservas não apenas de ouro, mas também de diamantes, ferro, bauxita, quartzo e coltan.
Ambientalistas denunciam um "ecocídio" nessa área e o colapso de minas ilegais com dezenas de mortos.
O caminho até El Dourado é pontilhado por acampamentos para processar a areia extraída nos depósitos. O desenho é similar: um galpão alto com tetos de zinco e terrenos descampados com uma enorme fossa onde a areia lavada cai nos moinhos.
É um trabalho duro, perigoso.
A terra que é extraída das minas é armazenada em sacos para ser transportada para os moinhos, que funcionam com motores de carros adaptados. Lá, fragmenta-se ainda mais a areia, que cai em uma rampa de bronze coberta com mercúrio, atravessando por um jato d'água constante.
Partículas quase imperceptíveis ao olho nu ficam presas em um tapete verde que depois é sacudido para serem extraídas.
Uma família de cinco membros trabalha em um desses acampamentos. Dedica quatro horas para processar uma tonelada de areia. Resultado: pouco mais de um 'grama' de ouro, cerca de 100 dólares (556,46 reais).
"Vamos usá-lo para comprar comida e o que fizer falta no moinho", disse um dos trabalhadores, que segura com as mãos grossas a pequena pedra resultante do trabalho, tão minúscula que ocupa apenas uma fração do centro de uma colher de sopa.
De aspecto irregular, é depois submetida ao calor de um maçarico para retirar impurezas. "O perigo disso é a fumaça" liberada com a queima do mercúrio, explica o dono do moinho enquanto fuma um cigarro.
B.Godinho--PC