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Setor privado dos EUA sofre primeira redução de empregos em anos
O setor privado dos Estados Unidos perdeu vagas de emprego inesperadamente em junho, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (2), um possível sinal de desaceleração do mercado de trabalho em meio às incertezas sobre a política tarifária do presidente Donald Trump.
Esta é a primeira vez que uma contração é registrada nos últimos anos, segundo os números da ADP/Stanford Lab, revelados um dia antes da divulgação dos dados de emprego coletados pelo governo.
Analistas veem sinais de que a maior economia do mundo pode estar mais fraca do que o esperado, com empresas incertas sobre suas redes de abastecimento e pressionadas com custos adicionais dos impostos.
"Embora as demissões continuem sendo pouco frequentes, a resistência em fazer novas contratações ou substituir funcionários que se aposentaram levou à redução de postos de trabalho no mês passado", disse Nela Richardson, economista-chefe da ADP.
No entanto, observou que a desaceleração nas contratações "ainda não interrompeu o aumento salarial".
Ao contrário da pesquisa da ADP, analistas esperavam a criação de 100 mil empregos, segundo um consenso do MarketWatch.
Os setores mais afetados em junho foram dos profissionais liberais, além de empreendedorismo, educação e saúde. No entanto, hotelaria, lazer e indústria apresentaram melhoras.
Em maio, o número de novas vagas foi de 29 mil (revisado para baixo nesta quarta-feira), o que irritou Trump e o levou a reiterar seu apelo ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, para que reduza as taxas de juros.
"Esta é a primeira vez nos últimos meses que há uma contração no mercado de trabalho", disse Adam Sarhan, da 50 Park Investments.
"É preocupante porque os números de desemprego têm sido baixos até agora, e dos empregos vinham se mantendo fortes e crescentes", acrescentou.
A última grande contração deste tipo no setor privado ocorreu durante a pandemia de covid-19 e, segundo o histórico da ADP, houve uma redução menor no início de 2023.
Analistas alertam que os números da ADP e os dados oficiais às vezes diferem significativamente; no entanto, este último relatório suscita preocupações.
Desde que voltou ao poder, Trump impôs tarifas de 10% a quase todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos e taxas mais altas às importações de aço, alumínio e automóveis.
A estratégia do presidente de anunciar tarifas e, em seguida, reajustá-las ou suspendê-las temporariamente também impactou as redes de fornecimento.
- "Uma queda surpreendente" -
"O número principal da ADP está bem abaixo das expectativas do mercado, e a perspectiva de queda é surpreendente", disse Carl Weinberg, economista-chefe da High Frequency Economics.
"Seja este relatório preciso ou não, operadores e investidores interpretarão os números de hoje como um resultado negativo para o mercado", acrescentou em nota.
A queda nos empregos em junho foi impulsionada principalmente por pequenas e médias empresas, afirmou a ADP.
"Podemos ter uma surpresa negativa no informe oficial de empregos na quinta-feira", alertou Jeffrey Roach, economista-chefe da LPL Financial.
Para Weinberg, as empresas provavelmente responderão à possibilidade de um aumento de seus custos devido às tarifas "tornando-se mais agressivas nos corte de pessoal".
"Isso pode ser a ponta do iceberg, mas também um passo em falso", acrescentou.
A.Seabra--PC