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Telefónica registra mais de € 1 bi em prejuízo líquido nos nove primeiros meses de 2025
A gigante espanhola das telecomunicações Telefónica, envolvida em uma importante guinada estratégica que busca aumentar sua rentabilidade, anunciou, nesta terça-feira (4), um prejuízo líquido de 1,08 bilhão de euros (6,6 bilhões de reais) nos primeiros nove meses de 2025, e a redução pela metade do seu dividendo por ação em 2026.
Os anúncios da empresa foram recebidos com frieza na Bolsa de Madri, onde as ações da Telefónica perderam mais de 13% no pregão desta terça-feira.
A título de comparação, o grupo - que nos últimos meses avançou na venda de suas filiais em Colômbia, Uruguai e Equador, após concluir as da Argentina e do Peru - lucrou 271 milhões de euros (1,67 bilhão de reais) no terceiro trimestre, contra 493 milhões de euros (3,16 bilhões de reais) de 2024.
Levando em consideração as perdas registradas durante as vendas, o prejuízo da empresa alcançou 1,08 bilhão de euros em nove meses, valor muito abaixo dos 954 milhões (6,13 bilhões de reais) de lucro registrados no mesmo período de 2024, segundo os resultados publicados.
As receitas do grupo foram de 8,95 bilhões de euros (pouco mais de 55 bilhões de reais) no terceiro trimestre (-1,6%) e 26,97 bilhões (166 bilhões) em nove meses (-2,8%).
Apesar disso, a empresa anunciou que mantém os objetivos anuais, que preveem um crescimento orgânico de suas receitas e uma remuneração aos seus acionistas de 30 centavos de euro (R$ 1,85) por ação.
No âmbito de seu novo plano estratégico, a empresa anunciou, no entanto, a redução pela metade de seu dividendo em 2026, para 15 centavos de euro (R$ 0,92) por ação.
Este plano - denominado "Transform & Grow" (Transformar e Crescer), e que envolve o período 2026-2030 - prevê ainda um aumento anual das receitas do grupo de 1,5% a 3,5% durante este período, assim como economias que poderiam alcançar até 2,3 bilhões de euros em 2028 e 3 bilhões em 2030.
- Contexto complexo -
No início de outubro, a imprensa espanhola noticiou que a Telefónica, com forte presença na Europa e na América Latina, poderia estar considerando eliminar "pelo menos 6.000" postos de trabalho como parte de um plano de reestruturação, mas o grupo negou a informação à AFP. Por enquanto, a empresa não deu novas informações a respeito.
"A realidade é que o mau desempenho da Telefónica não é atribuído apenas à empresa em si, mas ao contexto das telecomunicações europeias. Achamos que o corte do dividendo era necessário e permitirá à Telefónica tomar decisões menos focadas no curto prazo", avaliaram em uma nota analistas da XTB Espanha.
A histórica operadora espanhola de telefonia, que emprega cerca de 100.000 pessoas em todo o mundo, atua desde o início do ano em uma importante mudança estratégica destinada a concentrar as atenções em seus quatro principais mercados: Espanha, Alemanha, Reino Unido e Brasil.
"É um processo que levará anos para o setor e a Telefónica, e por isso a tese da companhia é de longo prazo e não deveríamos esperar grandes altas nos resultados no curto prazo", destacaram os analistas da XTB.
A estratégia iniciada no começo do ano ocorre em um momento crucial para a gigante das telecomunicações, no centro de diversas manobras desde a entrada surpreendente da companhia saudita STC, que adquiriu 9,9% do capital da empresa em setembro de 2023.
A manobra levou o Estado espanhol a adquirir uma participação de 10% na empresa através do fundo público SEPI.
A.Aguiar--PC