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Alemanha pede nova 'parceria' com EUA
A Alemanha pediu, nesta sexta-feira (13), uma "nova parceria transatlântica" entre os Estados Unidos e a Europa, durante a Conferência de Segurança de Munique, em meio às tensões com o presidente americano, Donald Trump.
"Vamos reparar e revitalizar juntos a confiança transatlântica. Nós, europeus, estamos fazendo a nossa parte", disse em inglês o chanceler alemão Friedrich Merz ao dirigir-se aos "amigos americanos" da Europa.
Os líderes europeus buscam reforçar as relações com Washington, insistindo que estão fortalecendo suas defesas segundo as exigências de Trump, em um momento que Merz e outros descrevem como de "turbulências".
A Conferência de Munique acontece em plena crise de confiança entre americanos e europeus, depois que o presidente americano ameaçou assumir o controle da Groenlândia e criticou o histórico dos países europeus em matéria de imigração.
A guerra da Rússia contra a Ucrânia, que completa quatro anos este mês, estará em destaque na agenda, juntamente com os esforços dos membros europeus da Otan para aumentar seus orçamentos de defesa diante do temor de que Moscou tente se expandir para seus territórios.
Os líderes europeus reunidos em Munique defendem seus compromissos em questão de segurança e na aliança da Otan.
A presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco está "pronto para assumir mais responsabilidade pela nossa própria segurança", depois que Trump colocou isto em dúvida.
"Na era da rivalidade entre grandes potências, nem mesmo os Estados Unidos serão suficientemente fortes para seguir sozinhos", disse Merz.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, que chegou na sexta-feira, deverá falar na reunião anual no sábado, assim como o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, segundo os organizadores.
Rubio é visto como uma opção mais conciliadora como enviado, um ano depois de o vice-presidente dos EUA, JD Vance, ter usado o mesmo palco para atacar as políticas europeias sobre imigração e liberdade de expressão.
- Indústria de defesa independente -
"Rubio não vai ofender gratuitamente os europeus", comentou o analista Ian Bremmer, do Eurasia Group, em uma coletiva de imprensa.
"Ele será visto como alguém construtivo, que tenta oferecer menos incerteza, menos imprevisibilidade e menos falta de confiabilidade por parte dos americanos, embora grande parte da mensagem seja dura", destacou.
Rubio se reuniu nesta sexta-feira com seu par chinês, Wang Yi, à margem da conferência, segundo um jornalista da AFP, em um momento de tensões crescentes entre Washington e Pequim.
No sábado, também é aguardado um discurso por videoconferência da vencedora Prêmio Nobel da Paz de 2025, a venezuelana María Corina Machado.
Desde seu retorno à Casa Branca, Trump critica frequentemente os países europeus por não compartilharem suficientemente o ônus da defesa comum.
As relações se deterioraram ainda mais no mês passado, quando o republicano intensificou as ameaças de anexar a Groenlândia, território autônomo do aliado da Otan, Dinamarca.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e seu par groenlandês, Jens Frederik Nielsen, afirmaram que discutiriam sobre tal questão com Rubio à margem da conferência.
Ao todo, mais de 60 chefes de Estado e de governo e cerca de 100 ministros das Relações Exteriores e da Defesa viajaram a Munique em meio a fortes medidas de segurança, com cerca de 5.000 policiais mobilizados para o evento.
O chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, informou ter se reunido com seu homólogo chinês, Wang Yi, na conferência e falou sobre o fim da invasão russa da Ucrânia.
Por sua vez, Zelensky visitou uma fábrica de drones perto de Munique junto com o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius.
"É bom ter uma parceria forte com os americanos, mas acredito que a Europa precisa de uma indústria de defesa independente, muito forte", ressaltou.
V.F.Barreira--PC