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Manifestações no mundo em apoio à Gaza, um ano após o 7/10
Milhares de manifestantes saíram às ruas neste fim de semana em Washington, Londres, Paris, Madri, Caracas e Cidade do Cabo para pedir um cessar-fogo em Gaza e no Líbano, na véspera da data em que a guerra entre Israel e Hamas completa um ano.
Simpatizantes pró-palestinos se manifestaram em cidades dos cinco continentes para exigir o fim da guerra, que já deixou quase 42 mil mortos em Gaza.
Dezenas de atos de protesto e homenagem foram convocados em todo o mundo por ocasião do primeiro aniversário do ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que deixou 1.205 mortos, principalmente civis, e 251 reféns, 97 dos quais ainda estão em cativeiro.
Em Washington, um homem que se apresentou como jornalista tentou atear fogo em si mesmo no sábado, confirmaram repórteres da AFP, durante um protesto com mais de mil pessoas em frente à Casa Branca para exigir o fim da ajuda militar dos Estados Unidos a Israel, seu aliado no Oriente Médio.
Pedestres e policiais conseguiram apagar as chamas com água e alguns keffiyeh, o tradicional lenço palestino. A polícia afirmou que "seus ferimentos não o colocavam sua vida em risco".
O protesto foi maior em Nova York, com milhares de pessoas reunidas na Times Square, algumas segurando fotos de cidadãos de Gaza mortos na guerra.
"Como americanos, já estamos cansados que o dinheiro de nossos impostos vá para Israel bombardear crianças na Palestina, depois no Líbano", criticou Daniel Pérez.
Em Sydney, na Austrália, centenas de manifestantes reuniram-se no Hyde Park neste domingo (6), agitando bandeiras palestinas e libanesas. "Parem de armar Israel", dizia uma faixa.
- 'Quantos mais devem morrer?' -
Em Londres, os manifestantes percorreram o centro da capital britânica no sábado entoando palavras de ordem como "Cessar-fogo agora!", "Do rio até o mar, a Palestina será livre!" e "Tirem as mãos do Líbano!".
Israel lançou uma operação terrestre no Líbano e promete responder ao último ataque com mísseis lançado pelo Irã, o que gera o temor de um espalhamento do conflito por toda a região.
O protesto na capital britânica foi liderado, entre outros, pelo ex-dirigente do Partido Trabalhista Jeremy Corbyn (hoje independente) e o ex-primeiro-ministro escocês Humza Yousaf.
Uma amostra da polarização internacional suscitada pelos acontecimentos no Oriente Médio são as manifestações programadas nestes dias em apoio tanto a Israel como aos palestinos em todo o mundo, às vezes com eventos opostos na mesma cidade.
Em Roma, uma marcha com milhares de pessoas acabou derivando em confrontos entre manifestantes pró-palestinos e a polícia, com lançamento de garrafas, fogos, gás lacrimogênio e jatos d'água, constataram repórteres da AFP.
"Queremos que Gaza seja livre!" ou "Israel, um estado criminoso!", eram algumas das palavras de ordem entoadas pelos manifestantes.
Em Berlim, uma manifestação pró-palestina reuniu mais de mil pessoas e outra pró-Israel, cerca de 650, segundo as forças de segurança.
A polícia informou que deteve 26 pessoas que fizeram insultos a uma marcha a favor de Israel.
- 'A humanidade morreu em Gaza' -
Na capital venezuelana, Caracas, centenas de simpatizantes do governo de Nicolás Maduro e membros da comunidade árabe protestaram em frente à sede da ONU.
Com uma bandeira de 25 metros da Palestina e aos gritos de "Viva a Palestina livre!" e "Irã, Irã, atinja Tel Aviv", os chavistas entregaram um documento à organização multilateral para pedir o fim do "genocídio" do povo palestino.
"Somente com resoluções isto não vai acabar. Onde estão os capacetes azuis? Onde estão as forças de paz?", disse à AFP o professor universitário Jesús Reyes, de 53 anos.
Em Paris, centenas de pessoas marcharam no sábado para demonstrar "solidariedade a palestinos e libaneses".
Já em Rabat, a capital do Marrocos, dezenas de milhares de pessoas se reuniram neste domingo para mostrar seu apoio ao povo palestino e pedir o rompimento das relações com Israel.
Milhares também se reuniram em frente à embaixada americana em Jacarta, na Indonésia, e fizeram um apelo ao governo para rejeitar qualquer normalização das relações com Israel. "Somos todos palestinos!", gritava a multidão.
Por sua vez, na África do Sul, no centro da Cidade do Cabo, centenas de pessoas se manifestaram no sábado tremulando bandeiras palestinas e entoando palavras de ordem como "Israel é um Estado racista".
Muitos deles se mostraram favoráveis à denúncia da África do Sul perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ). Pretória alega que a ofensiva israelense em Gaza viola a convenção da ONU contra o genocídio de 1948.
C.Cassis--PC