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Governador da Califórnia pró-clima ataca Trump na COP30
Na ausência de Donald Trump na COP30, o governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, esteve presente nesta terça-feira (11) em Belém do Pará para defender a luta contra a mudança climática e, de quebra, atacar seu inimigo político.
Sob o governo do presidente republicano, os Estados Unidos, a maior economia do mundo e o segundo maior emissor de gases de efeito estufa depois da China, estão ausentes pela primeira vez de uma conferência climática mundial.
Contrariando os estudos científicos, Trump considera a mudança climática "a maior farsa" da história, ao mesmo tempo em que promove a exploração de combustíveis fósseis.
Newsom, possível candidato às eleições presidenciais de 2028, deixou claro em Belém que os democratas desejam voltar ao Acordo de Paris para limitar o aquecimento global, do qual Trump retirou os Estados Unidos em janeiro.
Um presidente eleito pelo Partido Democrata retornaria ao acordo contra a mudança climática "sem hesitar", disse Newsom a jornalistas em resposta a uma pergunta da AFP.
"É um compromisso moral, uma necessidade econômica, é as duas coisas, e é uma abominação que tenha se retirado duas vezes, não uma, dos acordos", acrescentou o governador.
Trump retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris em seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Em seu segundo mandato, a decisão entrará em vigor em janeiro de 2026.
Trump "está dobrando a aposta na estupidez", afirmou Newsom durante uma visita a um centro de bioeconomia em Belém, acompanhado do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB).
Newsom, de 58 anos, destacou que a Califórnia obtém atualmente dois terços de sua eletricidade a partir de energias renováveis.
— "Realmente espantoso" —
Embora o governo Trump não tenha enviado uma delegação à COP30, alguns líderes locais e regionais americanos compareceram a Belém para representar o país, como Newsom e a governadora do Novo México, a também democrata Michelle Lujan Grisham.
Trump "renunciou ao seu papel no cenário internacional, é realmente espantoso", afirmou Newsom.
Os estados americanos podem, se assim desejarem, continuar avançando no Acordo de Paris, mesmo sem participar das negociações, segundo Champa Patel, diretora executiva do Climate Group, uma organização internacional que trabalha com governos regionais em questões climáticas.
"Mesmo que os governos nacionais retrocedam ou minem seus próprios compromissos, os governos subnacionais, cidades, estados, regiões, estão realmente na vanguarda da implementação", acrescentou.
— Governo federal vs. estados —
Uma análise recente desse centro destacou que, se os estados e cidades líderes intensificarem suas ações — e se um presidente pró-clima for eleito em 2028 —, as emissões dos Estados Unidos poderiam ser reduzidas até meados da década de 2050 em relação a 2005, aproximando-se da meta de 61–66% estabelecida pelo governo Biden.
Grande parte disso se deve à autoridade dos estados sobre a política energética e de construção, e ao controle das cidades sobre a gestão de resíduos, a redução de metano, o transporte público e mais, explicou Hultman à AFP.
A transição verde impulsionada pelo mercado continua sendo um fator forte mesmo em estados americanos com liderança hostil à agenda climática, como o Texas, que foi o líder em geração de energia renovável do país no ano passado.
No caso do Novo México, um importante produtor de combustíveis fósseis, a governadora democrata Grisham tem promovido a expansão das energias renováveis e a redução das emissões de metano no setor de petróleo e gás.
Reflexo das divisões nos Estados Unidos sobre o clima, o grupo pró-petróleo e gás Power the Future criticou Grisham por "fazer as malas para mais uma viagem internacional sobre o clima".
Em nível federal, o governo Trump não é contido.
Os republicanos aprovaram recentemente uma lei que encerra antecipadamente os créditos fiscais para energia limpa promulgados sob Biden, um golpe potencialmente devastador para o setor de energias renováveis.
Washington também retirou fundos para o desenvolvimento de energias limpas e tornou muito mais difícil a obtenção de licenças, especialmente para projetos eólicos, pelos quais Trump tem uma forte aversão pessoal.
O.Gaspar--PC