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Zelensky rejeita plano dos EUA para pôr fim à guerra com a Rússia
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, rejeitou, nesta sexta-feira (21), o plano dos Estados Unidos para pôr fim a quase quatro anos de guerra com a Rússia e garantiu que não "trairá" seu país.
"A Ucrânia pode enfrentar uma escolha muito difícil: a perda da dignidade ou o risco de perder um parceiro-chave", os Estados Unidos, declarou Zelensky em mensagem à nação.
"Estamos atravessando um dos momentos mais difíceis da nossa história", acrescentou.
Vários meios de comunicação, incluindo a AFP, publicaram os 28 pontos do plano apoiado pelo presidente americano, Donald Trump, e que exige que Kiev ceda territórios ocupados à Rússia, renuncie à adesão à Otan, reduza suas Forças Armadas e organize eleições.
As propostas americanas prenunciam "uma vida sem liberdade, sem dignidade, sem justiça. E acreditar em alguém que já atacou duas vezes", insistiu Zelensky em referência à Rússia, que iniciou a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022 e anexou a península da Crimeia em 2014.
"Vou apresentarei argumentos, vou persuadir, vou propor alternativas", declarou o presidente ucraniano, assegurando que não "trairá" seu país.
Pouco depois, Zelensky conversou sobre o plano com o vice-presidente americano, JD Vance, indicou uma fonte da Presidência ucraniana.
Ele também entrou em contato em caráter de urgência com líderes de França, Alemanha e Reino Unido, seus principais aliados frente à Rússia e aos Estados Unidos.
Os líderes europeus expressaram seu "apoio inabalável" à Ucrânia e "concordaram em continuar buscando o objetivo de preservar a longo prazo os interesses vitais europeus e ucranianos", declarou o governo alemão.
Segundo a Presidência francesa, os parceiros reafirmaram que "todas as decisões que tenham implicações para os interesses da Europa e da Otan requerem o apoio conjunto e o consenso dos parceiros europeus e dos aliados da Otan".
O secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou, por sua vez, que qualquer "solução de paz" para a Ucrânia deveria respeitar sua "integridade territorial".
- Concessões -
Segundo o plano consultado pela AFP, Kiev deveria se comprometer a nunca entrar na Otan e não poderia implantar forças ocidentais em seu território, embora preveja a presença de aviões de combate europeus na Polônia para proteger o país.
A proposta retoma várias demandas formuladas pela Rússia e rejeitadas por Kiev, entre elas que a Ucrânia ceda o leste do país e aceite a ocupação de uma parte do sul da Ucrânia.
As duas regiões da bacia mineradora e industrial do Donbass, Donetsk e Lugansk (leste), assim como a península da Crimeia anexada em 2014, seriam "reconhecidas de fato como russas, inclusive pelos Estados Unidos", e Moscou receberia outros territórios ucranianos que ainda hoje estão sob controle de Kiev.
A Rússia também veria o fim de seu isolamento do Ocidente com sua reintegração ao G8 e o levantamento gradual das sanções, assim como seu desejo de afastar para sempre Kiev da Aliança Atlântica, algo que deveria ser inscrito na Constituição ucraniana.
Kiev deveria, ainda, limitar seu exército a 600.000 militares e se contentar com uma proteção de aviões de combate europeus baseados na Polônia, enquanto a Otan se comprometeria a não estacionar tropas em território ucraniano.
A Ucrânia deveria, além disso, organizar eleições em menos de 100 dias, um ponto que atende às reivindicações de Moscou, que insiste na destituição de Zelensky.
A Rússia, cujas tropas continuam reivindicando a cada semana a tomada de novos vilarejos ao longo da linha de frente, pressionou o presidente ucraniano para que negocie "agora" em vez de correr o risco de perder mais território.
"O espaço para tomar decisões para ele se reduz à medida que perde territórios", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em uma sessão informativa.
Em Kiev, a palavra "capitulação" estava na boca de todos nesta sexta-feira.
"Espero de verdade que a parte ucraniana se recuse a implementar um acordo assim", declarou à AFP Danylo Domsky, um estudante de 18 anos.
N.Esteves--PC