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Papa Leão XIV chega ao Líbano com mensagem de paz
O papa Leão XIV chegou ao Líbano neste domingo (30) com uma mensagem de paz para um país assolado por uma crise endêmica e que se recupera de uma guerra com Israel, após uma visita à Turquia, onde defendeu a unidade dos cristãos.
O pontífice desembarcou no aeroporto de Beirute pouco antes das 15h45 (10h45 de Brasília) para uma visita de 48 horas.
A visita ao país de 5,8 milhões de habitantes representa a segunda e última etapa de sua primeira viagem internacional desde que foi eleito para liderar a Igreja Católica, em maio.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, único chefe de Estado cristão do mundo árabe, recebeu o pontífice no aeroporto. O Exército celebrou a chegada de Leão XIV com salvas de tiros e os navios no porto de Beirute acionaram as sirenes.
O Líbano enfrenta uma sucessão de crises desde 2019, incluindo um colapso econômico que agravou a pobreza, uma grande explosão em 2020 no porto de Beirute e a recente guerra do movimento islamista Hezbollah com Israel.
Apesar do importante papel político desempenhado pelos cristãos no país, seu número diminuiu nas últimas décadas, principalmente devido à emigração dos jovens.
Leão XIV é o primeiro papa a visitar o Líbano desde Bento XVI em 2012.
O Líbano decretou dois dias de feriado por ocasião de sua visita ao país e muitas pessoas estavam nas ruas com a esperança de ver o papa.
"Vim dizer que os libaneses são um povo e estamos unidos", afirmou Zahra Nahla, de 19 anos. "Gostaríamos que ele visitasse o sul", uma área do país devastada pela última guerra com Israel, acrescentou a jovem.
Nos redutos do movimento xiita Hezbollah ao sul de Beirute, os simpatizantes do grupo também saíram às ruas para saudar o pontífice com cartazes com o rosto de seu falecido líder Hassan Nasrallah, que morreu em um bombardeio israelense, e bandeiras do Vaticano.
O Hezbollah pediu no sábado ao papa que rejeite "a injustiça e a agressão" de Israel contra o Líbano. O grupo, dizimado pela guerra com Israel, perdeu seu líder militar Haitham Ali Tabatabai em um ataque israelense em 23 de novembro.
Apesar do cessar-fogo anunciado há um ano, o Exército israelense intensificou os ataques no país nas últimas semanas, em particular no sul, alegando que seu alvo é o movimento pró-Irã.
- "Corajoso testemunho cristão" do povo armênio -
Antes de viajar para o Líbano, o papa concluiu, na manhã deste domingo, sua visita de quatro dias à Turquia, onde defendeu a unidade dos cristãos.
Leão XIV encerrou a viagem com uma cerimônia litúrgica solene na catedral ortodoxa de São Jorge em Istambul.
"Neste período de conflitos sangrentos e violência, em lugares próximos e distantes, os católicos e os ortodoxos são convocados a ser construtores da paz", declarou.
Antes, o papa elogiou na catedral armênia de Istambul "o corajoso testemunho cristão do povo armênio ao longo dos séculos, muitas vezes em circunstâncias trágicas".
O pontífice mencionou desta maneira a delicada questão do genocídio armênio sem nomeá-lo. A Turquia refuta com veemência esta qualificação dos massacres de 1915-1916 durante o Império Otomano.
Para Mardik Evadian, empresário armênio que estava na catedral, "hoje em dia, não é importante falar de genocídio ou não".
"É história antiga. Sofremos perdas humanas, famílias inteiras, mas vivemos neste país e estamos felizes por isso. Podem ter ocorrido problemas no passado, mas hoje em dia há paz", afirmou.
Na Turquia, Leão XIV recebeu uma calorosa recepção por parte da pequena comunidade católica. Mas sua visita foi discreta, em particular devido ao grande dispositivo de segurança que impediu qualquer contato próximo com os fiéis.
Apesar da agenda intensa, ele reservou um tempo para se reunir de modo privado com o pai de Mattia Ahmet Minguzzi, de 14 anos, vítima, em janeiro, de uma agressão fatal em um bairro popular de Istambul, um caso que que comoveu a Turquia.
Em sua primeira viagem ao exterior, Leão XIV demonstrou prudência, respeitou as sensibilidades políticas de seus interlocutores e reiterou as mensagens a favor da unidade e do respeito à diversidade religiosa.
"A opção de viajar ao Líbano é uma escolha corajosa", declarou Hugues de Woillemont, presidente da Obra do Oriente, uma organização católica que ajuda os cristãos do Oriente Médio.
J.Pereira--PC