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Ataque em Sydney parece ter sido motivado por 'ideologia do Estado Islâmico', diz premiê australiano
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, afirmou nesta terça-feira (16) que o ataque a tiros contra uma multidão que celebrava a festividade judaica do Hanukkah em uma praia de Sydney provavelmente estiveram motivados "pela ideologia" do grupo jihadista Estado Islâmico (EI).
Sajid Akram e seu filho Naveed mataram 15 pessoas e feriram mais de 40 no ataque a tiros ocorrido no domingo à tarde na praia de Bondi.
"Sajid Akram é natural de Hyderabad, na Índia. Ele emigrou para a Austrália em busca de emprego há 27 anos, em novembro de 1998", informou em comunicado a polícia do estado de Telangana, no sul do país asiático, e confirmou a nacionalidade indiana do atirador.
O filho é registrado como cidadão australiano, informaram as autoridades, que classificaram o ataque como um ato "terrorista" motivado pelo "antissemitismo".
"Ao que parece, isto esteve motivado pela ideologia do Estado Islâmico", disse Albanese ao canal australiano ABC.
"Com a ascensão do ISIS há mais de uma década, o mundo tem enfrentado o extremismo e esta ideologia de ódio", afirmou ele em outra entrevista, utilizando um dos acrônimos em inglês do Estado Islâmico.
A polícia localizou um carro registrado em nome de Naveed Akram estacionado perto da praia após o ataque. No veículo foram encontrados explosivos improvisados e "duas bandeiras artesanais" do grupo jihadista, revelou nesta terça-feira o comissário de polícia de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon.
Albanese disse que Naveed Akram, supostamente um pedreiro desempregado de 24 anos, havia chamado a atenção da agência de inteligência da Austrália em 2019, mas que, naquele momento, não era considerado uma ameaça iminente.
A polícia continua reconstituindo os movimentos dos autores nos dias que antecederam o ataque. Uma questão crucial é saber se eles se reuniram com extremistas islamistas durante uma viagem às Filipinas em novembro, informou a imprensa.
O departamento de imigração das Filipinas confirmou que eles chegaram ao país em 1º de novembro e que o pai se identificou como cidadão indiano e o filho como australiano.
"As razões pelas quais eles viajaram às Filipinas, o propósito da viagem e os locais que visitaram estão sendo investigados neste momento", disse Lanyon.
No dia do ataque, Naveed Akram disse à mãe que sairia da cidade para pescar. As autoridades, no entanto, acreditam que ele seguiu para um apartamento alugado com o pai para planejar o ataque.
Eles utilizaram armas de cano longo e atiraram contra as pessoas durante 10 minutos, até que a polícia conseguiu matar o pai, de 50 anos.
O filho permanece em coma no hospital, sob vigilância policial.
- 'Medidas adequadas' -
As autoridades australianas anunciaram na segunda-feira que pretendem endurecer as leis que permitiram ao pai, Sajid, possuir seis armas.
Os ataques de atiradores são raros na Austrália desde 1996, quando um homem matou 35 pessoas na cidade turística de Port Arthur.
O ataque na praia de Bondi também reacendeu as acusações de que a Austrália precisa reforçar o combate ao antissemitismo. O presidente da Associação Judaica Australiana, Robert Gregory, afirmou à AFP que o governo "não havia tomado as medidas adequadas para proteger a comunidade judaica".
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, exigiu nesta terça que os governos ocidentais "façam o necessário para combater o antissemitismo e que garantam a segurança e a proteção necessárias às comunidades judaicas".
"Seria bom que prestassem atenção em nossas advertências. Exijo que atuem, agora", acrescentou o primeiro-ministro, que, na noite de domingo, acusou a Austrália de ter jogado "lenha na fogueira do antissemitismo" ao reconhecer o Estado da Palestina no início deste ano.
Com vontade de ajudar, mais de 7.000 pessoas doaram sangue para os feridos na segunda-feira, segundo a Cruz Vermelha Australiana.
Um memorial improvisado com flores perto da praia de Bondi ficou lotado na noite de segunda-feira, quando parentes se reuniram para prestar homenagem às vítimas e marcar o segundo dia de Hanukkah.
J.Pereira--PC