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Irã otimista sobre negociações, mas EUA alerta para 'linhas vermelhas'
O Irã afirmou nesta terça-feira(17) que havia concordado com os Estados Unidos sobre "diretrizes gerais" em Genebra para um acordo que evitasse conflitos, mas o vice-presidente americano JD Vance disse que Teerã não aceita todas as "linhas vermelhas" do presidente Donald Trump.
Esta segunda rodada de conversas sob a mediação de Omã buscava um acordo sobre o programa nuclear do Irã, em troca do levantamento das sanções americanas em um contexto de grave crise econômica, um dos fatores que desencadearam os protestos das últimas semanas.
O chanceler iraniano, Abbas Araghqchi, disse à televisão estatal nesta terça-feira que a rodada de negociações com os Estados Unidos foi construtiva e que as "linhas gerais" para um pacto foram acordadas, embora não tenha especificado uma data para novas conversas.
Acrescentou que assim que apresentadas por ambos os lados, suas versões preliminares do acordo "serão trocadas e uma data será definida para uma terceira rodada (de negociações)".
Em Washington, Vance também pareceu indicar que os Estados Unidos preferem a diplomacia, mas apresentou um panorama misto.
"Em alguns aspectos, correu bem; eles concordaram em se reunir mais tarde. Mas, em outros, ficou muito claro que o presidente estabeleceu algumas linhas vermelhas que os iranianos ainda não estão preparados para reconhecer e abordar", disse Vance em entrevista à Fox News.
"Vamos continuar trabalhando nisso. Mas, é claro, o presidente reserva-se à faculdade de dizer quando considera que a diplomacia chegou ao fim de seu curso natural", afirmou. "Esperamos não chegar a esse ponto, mas se chegarmos, será uma decisão do presidente", alertou.
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al Busaidi, celebrou os "avanços" alcançados e afirmou que as negociações permitiram progressos na identificação de "objetivos comuns e questões técnicas".
"Ainda há muito a fazer, e as partes saíram com objetivos claros para a próxima reunião", acrescentou.
- Ameaças do aiatolá -
Paralelamente às conversas diplomáticas na Suíça, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, lançou advertências aos Estados Unidos após o envio de navios de guerra ao Oriente Médio.
"Ouvimos o tempo todo que [os Estados Unidos] enviaram um navio de guerra ao Irã. Um navio de guerra é efetivamente uma arma perigosa, mas mais perigosa é a arma capaz de afundá-lo", declarou o aiatolá.
O porta-aviões "USS Abraham Lincoln", com cerca de 80 aeronaves a bordo, foi mobilizado por Washington junto com outros 11 navios de guerra e encontrava-se no domingo a cerca de 700 km das costas do Irã, segundo imagens de satélite.
Além disso, o presidente Trump determinou o envio à região de outro porta-aviões, o "USS Gerald R. Ford", que foi mobilizado no Caribe como parte da operação contra Nicolás Maduro.
A ameaça de Khamenei ocorreu um dia depois de a Guarda Revolucionária iraniana mobilizar barcos e helicópteros, e testar drones e mísseis, em um exercício militar com ares de demonstração de força no estratégico estreito de Ormuz.
A emissora estatal indicou que o Irã fechará parcialmente partes desse estreito "por segurança", embora não tenha especificado por quanto tempo a medida será mantida. Por Ormuz transita cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos mundialmente.
— Irã disposto a verificações —
Em outro tom, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que seu país está disposto a permitir uma verificação de que não busca dotar-se de armas atômicas.
"Não estamos, de forma alguma, buscando ter armas nucleares", declarou Pezeshkian em uma entrevista publicada nesta terça-feira. "Se alguém quiser verificar isso, estamos dispostos a que essa verificação seja realizada".
Teerã nega querer dotar-se de uma arma atômica, mas insiste em seu "direito inalienável" de desenvolver um programa nuclear civil e de enriquecer urânio, especialmente para fins energéticos, em conformidade com as disposições do Tratado de Não Proliferação (TNP), do qual é signatário.
As conversas desta terça-feira ocorreram na residência do embaixador de Omã em Cologny, perto de Genebra, com a presença das delegações iraniana e americana, esta última liderada pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo genro de Trump, Jared Kushner.
Trump multiplicou os alertas após a sangrenta repressão às manifestações antigovernamentais em massa em janeiro no Irã, ao mesmo tempo em que deixou a porta aberta para uma solução diplomática, especialmente sobre o programa atômico.
Ambos os países divergem sobre o conteúdo das discussões.
O Irã quer falar apenas de seu programa nuclear, mas Washington também exige que limite seu programa de mísseis balísticos e deixe de apoiar grupos armados regionais.
Em meio aos desacordos, o Irã se mostrou disposto a chegar a um pacto sobre suas reservas de urânio altamente enriquecido, estimadas em mais de 400 quilos e cujo destino é incerto, caso Washington suspenda as sanções.
O Irã "está confrontado com um dilema existencial: ceder às exigências americanas poderia permitir-lhe obter um alívio das sanções, algo de que precisa desesperadamente", declarou à AFP Ali Fathollah-Nejad, diretor do Center for Middle East and Global Order.
Mas "qualquer concessão significativa nas questões nucleares, balísticas e relacionadas aos aliados regionais poderia comprometer gravemente sua posição ideológica e militar", acrescentou.
N.Esteves--PC