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Trump promete enfrentar qualquer ameaça aos EUA e se vangloria de 'virada histórica'
O presidente Donald Trump se vangloriou nesta terça-feira (24), em seu discurso sobre o Estado da União no Congresso, de uma "virada histórica" dos Estados Unidos e advertiu que está disposto a responder a qualquer ameaça, e isso inclui a América Latina.
Dezenas de congressistas democratas boicotaram o discurso anual do presidente republicano, em protesto por suas políticas anti-imigração.
"Estamos restaurando a segurança e a dominação dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental, atuando para proteger nossos interesses nacionais e defender o nosso país da violência, das drogas, do terrorismo e da ingerência estrangeira", explicou Trump.
"Durante anos, amplas porções de território em nossa região, incluindo grandes partes do México, têm sido controladas por sanguinários cartéis do tráfico de drogas", adverte o texto parcial.
Os Estados Unidos protagonizaram uma captura audaz de um presidente latino-americano, o venezuelano Nicolás Maduro, o primeiro desde a prisão do panamenho Manuel Noriega em 1989.
No fim de semana passado, os serviços de inteligência americanos tiveram um papel decisivo para que o Exército mexicano localizasse e matasse Nemesio Oseguera, conhecido como "El Mencho", chefe do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG).
"Depois de apenas um ano, posso dizer com dignidade e orgulho que conseguimos uma transformação como nunca antes se tinha visto, e uma virada histórica", disse o mandatário de 79 anos, em seu segundo e último mandato.
Trump também assegurou que a Venezuela já vendeu aos Estados Unidos "mais de 80 milhões de barris" de petróleo.
Suas palavras foram recebidas com muitos aplausos pela bancada republicana, que tem uma pequena maioria no Congresso, e que enfrenta uma complicada eleição legislativa em novembro.
O mandatário também adotou um tom triunfalista ao lembrar do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, que promete uma grande celebração em 4 de julho.
Trump convidou a equipe de hóquei sobre o gelo masculina, que ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos em Milão, algo que não conseguia desde 1980, e ainda por cima contra o Canadá.
- Uma 'era de ouro' que nunca chega -
Há um ano, Trump prometeu o início de uma "era de ouro" para seu país, frustrado pela inflação persistente, pela divisão política e pela crescente sombra da China.
Trump imprimiu um ritmo frenético ao seu segundo e último mandato, com golpes espetaculares no exterior, como a captura de Maduro, e negociações difíceis, como o precário cessar-fogo em Gaza.
Mas o presidente republicano chegou ao poder principalmente com o slogan "os Estados Unidos em primeiro lugar", e essa promessa ainda não se concretizou.
O crescimento econômico em 2025, de 2,2%, foi menor que o do ano anterior, a inflação permanece alta (2,9% em dezembro, na comparação anual) e apenas o emprego apresenta um bom ritmo.
Há um ano, o mandatário decidiu apostar boa parte de sua agenda econômica nas tarifas.
A Suprema Corte acaba de derrubar essa política, que Trump justificou como uma "emergência nacional", e lembrou ao presidente que, se quiser alterar as tarifas, precisa pedir a colaboração do Congresso.
Essa sentença foi "muito infeliz", disse Trump diante dos juízes do supremo tribunal presentes no recinto.
Por outro lado, o presidente se vangloriou de que, "nos últimos nove meses, nenhum imigrante ilegal foi admitido nos Estados Unidos".
"Sempre vamos acolher pessoas que venham legalmente, gente que ame o nosso país", assegurou.
As batidas contra imigrantes irregulares em todo o país despertaram a indignação da oposição, a preocupação de países latino-americanos e resultaram na morte de dois cidadãos americanos, na cidade de Minneapolis, por agentes federais.
- Ausências e estrelas -
O Congresso retorna esta semana às sessões sem ter resolvido o impasse sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna.
No centro das negociações entre republicanos e democratas estão as agências de imigração, que podem continuar operando por enquanto porque seu orçamento foi aprovado no ano passado.
Os democratas exigem mudanças na forma como os agentes federais operam, como não cobrir o rosto e apresentar ordens judiciais, o que Trump parece não estar disposto a conceder.
As pesquisas mostram resultados mistos em relação a Trump. Os principais índices de opinião indicam menos de 50% de aprovação, mas seus apoiadores permanecem firmes, enquanto os eleitores democratas parecem estar novamente mobilizados.
Se as eleições de meio de mandato, que renovarão parcialmente o Congresso em novembro deste ano, resultarem em uma vitória democrata, Trump enfrentará um final de governo difícil.
S.Caetano--PC