Trump assina decreto para flexibilizar pesquisas com drogas psicodélicas
Trump assina decreto para flexibilizar pesquisas com drogas psicodélicas / foto: Jim WATSON - AFP

Trump assina decreto para flexibilizar pesquisas com drogas psicodélicas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, flexibilizou neste sábado (18) as restrições às pesquisas sobre drogas psicodélicas promissoras no tratamento de pessoas com transtornos de saúde mental.

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Acompanhado pelo secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., por funcionários de alto escalão da área médica e pelo apresentador de podcast Joe Rogan, um defensor do acesso a estas substâncias, Trump assinou um decreto que, segundo ele, "eliminará obstáculos burocráticos desnecessários".

Atualmente, muitas substâncias psicodélicas, incluindo o LSD e a psilocibina (conhecida como "cogumelos mágicos"), são consideradas drogas com alto potencial de abuso e dependência e estão proibidas para uso médico, o que limita as pesquisas cientíticas.

Se a FDA, agência que regulamenta os produtos farmacêuticos nos Estados Unidos, determinar oficialmente que algumas drogas psicodélicas têm benefícios médicos, elas poderão ser reclassificadas, o que permitiria um uso clínico mais amplo.

O decreto contempla apenas a aceleração da pesquisa e não exige que as autoridades policiais reclassifiquem as drogas, o que significa que o uso terapêutico não será ampliado de forma imediata.

Nos últimos anos, o impulso para pesquisar os efeitos das substâncias no tratamento da ansiedade e da depressão aumentou, em particular para pessoas que sofrem de estresse pós-traumático, como os veteranos de guerra. Em 2023, 6.398 ex-combatentes americanos cometeram suicídio, segundo dados oficiais.

Muitos pacientes afirmam que os coquetéis de antidepressivos receitados são ineficazes. Alguns viajam ao México, onde as substâncias psicodélicas são autorizadas, para utilizá-las.

Durante a cerimônia de assinatura na Casa Branca, Trump mencionou a ibogaína, uma substância extraída de um arbusto africano, e disse que aqueles que tomaram a substância "viram em um mês uma redução de entre 80 e 90% nos sintomas de depressão e ansiedade", antes de acrescentar em tom de brincadeira: "Posso tomar um pouco, por favor?".

O alcance total dos benefícios e os possíveis efeitos colaterais dos medicamentos psicodélicos ainda não são conhecidos, já que as pesquisas enfrentam restrições.

Apesar da possibilidade de que muitas substâncias ofereçam benefícios promissores para a saúde mental, também envolvem riscos. A ibogaína, por exemplo, é potencialmente prejudicial para o coração.

P.Serra--PC