María Corina Machado pede a milhares de venezuelanos em Madri que preparem o retorno à pátria
María Corina Machado pede a milhares de venezuelanos em Madri que preparem o retorno à pátria / foto: Javier SORIANO - AFP

María Corina Machado pede a milhares de venezuelanos em Madri que preparem o retorno à pátria

A líder opositora venezuelana María Corina Machado disse neste sábado (18) a uma multidão de compatriotas em Madri que se preparem para "o dia" do "reencontro e da reconstrução" da Venezuela.

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Milhares de venezuelanos lotaram a Puerta del Sol, na capital espanhola, para ver pela primeira vez em muitos anos Machado, que deixou o país em dezembro para ir receber o Nobel da Paz em Oslo após passar mais de uma década sem sair da Venezuela, com um último período na clandestinidade.

"Para lá vamos!", disse Machado na praça madrilenha aos manifestantes, que pediam "eleições, eleições". "Aqui estamos iniciando o retorno para casa", afirmou.

"Muitos de vocês encontraram nesta grande nação acolhimento, afeto, carinho, aprenderam, trabalharam, pouparam, preparando-se para um dia, preparando-nos para esse dia", acrescentou a política de 58 anos.

"Tudo o que fizemos durante estes longos 27 anos foi nos preparar para um momento de reencontro e de construção de uma nação que será livre para sempre", acrescentou, referindo-se ao período de governo do chavismo na Venezuela, dividido principalmente entre Hugo Chávez e Nicolás Maduro.

Maduro foi capturado e transferido para Nova York para ser julgado em uma operação militar dos Estados Unidos em janeiro, sendo substituído por uma figura próxima a ele, Delcy Rodríguez.

- "Falta muito pouco lá fora" -

A Espanha é um dos principais destinos da diáspora venezuelana, com cerca de 700 mil venezuelanos instalados no país.

Dayanna Padrino, uma venezuelana de 37 anos que vive há dois anos na Espanha, explicou à AFP que o processo de retorno de milhões de venezuelanos "já é irreversível".

"Temos a esperança de voltar ao nosso país, de reconstruir a pátria que conhecemos há tantos anos e que volte a ser a mesma de antes", explicou, antes de concluir: "acho que nos resta muito pouco lá fora".

A manifestação foi o ponto alto da visita de María Corina Machado à Espanha. Na sexta-feira, ela recebeu as chaves da cidade, uma distinção simbólica, das mãos do prefeito, e neste sábado concedeu uma coletiva de imprensa.

Nela, defendeu sua decisão de presentear seu prêmio Nobel da Paz ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negando assim estar decepcionada com a atuação de Washington após a derrubada de Maduro.

- Confiança intacta nos EUA -

"Não me arrependo", respondeu. "Há um líder no mundo, um chefe de Estado no mundo, um, que colocou em risco a vida de cidadãos de seu país pela liberdade da Venezuela, e esse é Donald Trump", acrescentou.

"E isso é algo que os venezuelanos sempre lembraremos e sempre agradeceremos, portanto, não, não me arrependo", reforçou.

Sobre seu retorno à Venezuela, onde vivia na clandestinidade antes de deixar o país para receber o Nobel em Oslo em dezembro, Machado disse estar coordenando sua volta com Washington.

"Estou tratando disso com o governo dos Estados Unidos e estamos fazendo isso em coordenação, com respeito mútuo e entendimento", afirmou Machado, sustentando que Washington é "fundamental para avançar em uma transição democrática".

Da mesma forma, Machado criticou o presidente colombiano, Gustavo Petro, que participava de um encontro de líderes progressistas internacionais em Barcelona, por propor um "governo de concentração" na Venezuela entre a presidente interina, Delcy Rodríguez, e a oposição.

Machado classificou Petro entre os "atores ou forças que buscam desesperadamente desculpas, manobras, para impedir que o processo eleitoral avance na Venezuela".

"Agora esses mesmos atores, que diante de eleições fraudulentas que violavam a Constituição insistiam que a qualquer custo era preciso participar, recusam-se a permitir que existam eleições", lamentou a líder opositora.

"Delcy Rodríguez representa o caos, Delcy Rodríguez representa a violência, Delcy Rodríguez e seu regime representam o terror", afirmou Machado.

Junto a essa proposta, Petro anunciou que viajará a Caracas em 24 de abril, naquela que será a primeira visita de um líder latino-americano após a derrubada de Maduro.

O.Gaspar--PC