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Funerárias de Paris, sobrecarregadas após onda de calor recorde
As funerárias de Paris registraram, nesta segunda-feira (29), sua capacidade máxima por um aumento de óbitos durante a onda de calor recorde, que deixou pelo menos 1.000 mortos na França ao final da semana passada.
A França viveu na semana passada uma onda de calor com temperaturas superiores a 40ºC durante o dia e um recorde de noite mais quente com média de 22ºC, que chegou a 26,4ºC em Paris.
A agência nacional de saúde pública informou, neste domingo, que desde a quarta-feira foram registradas cerca de 1.000 mortes adicionais em comparação com os meses anteriores, mas o balanço pode ser maior.
Oitenta e cinco por cento dos mortos tinham 65 anos ou mais, segundo as autoridades. As maiores altas reportadas foram registradas nas mortes em domicílio, especialmente em Paris e na periferia da capital.
A presidente da Federação Nacional de Funerárias, Élisabeth Charrier, informou, nesta segunda-feira, que a ocupação destas empresas, que costuma oscilar entre 30% e 45% durante o verão, passou de 66% em todo o país.
Em alguns locais, os necrotérios alcançaram a capacidade máxima, especialmente nos centros urbanos.
"A principal dificuldade está em Paris, onde as duas únicas funerárias estão no máximo de sua capacidade desde a sexta-feira passada", disse Carrier à AFP.
"As pessoas têm que sair de Paris - rumo à periferia próxima ou distante, ou inclusive mais longe - para encontrar um local e poder homenagear seus entes queridos", acrescentou.
A presidente das funerárias alertou para um "efeito dominó" nos próximos dias, devido ao tempo de espera para as cremações e os sepultamentos, pois o pessoal "não pode cavar tumbas muito mais rápido".
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, convocou uma reunião de crise para analisar o impacto da onda de calor, que alterou a vida cotidiana e provocou o fechamento de escolas e locais turísticos.
A oposição criticou as autoridades pelo que descreveu como uma falta de preparo diante do clima extremo.
"Devemos lançar toda a luz possível sobre o gravíssimo balanço humano que está por vir para determinar as responsabilidades políticas", afirmou a líder ecologista, Marine Tondelier.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, defendeu, em declarações ao jornal Le Parisien, a resposta do governo às temperaturas extremas: "É completamente inédito ter níveis de temperatura assim".
R.Veloso--PC