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Saint-Tropez se despede da lendária Brigitte Bardot
A lendária atriz francesa Brigitte Bardot será sepultada nesta quarta-feira (7) na cidade turística de Saint-Tropez, em uma cerimônia "simples", como desejava a artista, ícone do cinema, defensora dos direitos dos animais e conhecida por suas declarações controversas.
Durante a manhã, o caixão da atriz, coberto por flores, foi transportado para a Igreja de Notre-Dame de l'Assomption, onde foi realizada uma missa, com a participação de seu filho, com quem ela tinha uma relação complicada, e figuras conhecidas como a líder da extrema direita Marine Le Pen.
Seu filho, Nicolas-Jacques Charrier, de 65 anos, depositou uma coroa de flores de mimosa em formato de coração com a inscrição "para a mamãe".
Sua chegada de Oslo, onde vive com as filhas e netas, foi um mistério até o último minuto devido ao seu relacionamento distante com a mãe, que afirmava não ter instinto materno e o deixou aos cuidados do pai, Jacques Charrier, falecido em setembro.
Entre os presentes estavam Paul, filho de outra lenda do cinema francês, Jean-Paul Belmondo, e o defensor de baleias Paul Watson, com quem ela compartilhava a paixão pelos direitos dos animais.
Do âmbito político, estava a política de extrema direita Marine Le Pen. Bardot apoiou Le Pen nas eleições presidenciais de 2012 e 2017, descrevendo-a como uma Joana d'Arc moderna que, segundo ela, poderia "salvar" a França.
O presidente francês, Emmanuel Macron, a quem a atriz havia criticado, enviou uma grande coroa de flores.
Nos últimos anos, a atriz, que personificou a libertação das tradições na França dos anos 1950, causou polêmica com suas declarações sobre política, imigração e caça. Algumas dessas declarações resultaram em processos por difamação.
- Câncer -
Bardot morreu em 28 de dezembro, aos 91 anos, em sua casa em Saint-Tropez, a La Madrague, onde viveu reclusa por décadas com seu quarto marido, Bernard d'Ormale.
Em uma entrevista publicada no dia anterior na revista Paris Match, D'Ormale revelou que a atriz morreu de câncer. Bardot "enfrentou com muita coragem as duas cirurgias pelas quais passou para tratar o câncer que a levou", disse ele.
Mas "ela sempre queria voltar para La Madrague (...) e lá, era mais complicado, principalmente por causa de uma dor persistente nas costas que não passava, causando-lhe sofrimento e exaustão. Era desconfortável, mesmo quando estava na cama".
A atriz alcançou a fama em 1956 com o filme "E Deus Criou a Mulher" e participou de cerca de cinquenta produções, tornando-se um símbolo sexual e ícone de moda. Em 1973, deixou as telas para se dedicar aos direitos dos animais.
A fundação criada pela atriz para o bem-estar animal declarou que a artista desejava um funeral discreto, "sem ostentação".
"A cerimônia será como ela, com aqueles que a conheceram e amaram. Haverá, sem dúvida, surpresas, mas será simples, como Brigitte queria", disse Bruno Jacquelin, porta-voz da fundação, à AFP.
No porto desta glamourosa cidade da Riviera Francesa, cerca mil pessoas se reuniram diante de um telão gigante que transmitia a cerimônia em meio ao frio intenso. Uma delas segurava uma faixa com a frase: "Os animais agradecem a Brigitte Bardot".
- Com seus pais -
Após a missa, o sepultamento ocorrerá em estrita privacidade no cemitério à beira-mar da cidade. Mais tarde, haverá um momento de reflexão aberto ao público em uma colina próxima.
Bardot disse em 2018 que queria ser enterrada em seu jardim com uma simples cruz de madeira em seu túmulo, assim como seus animais de estimação, para evitar "uma multidão de idiotas" em seu funeral.
Em entrevista à Paris Match, D’Ormale explicou os motivos da mudança de planos da artista. “Há alguns anos, ela percebeu que a prefeitura não daria conta... Imagine as ondas de turistas lotando a estreita trilha costeira”, disse ele.
Bardot então se resignou a abandonar os planos e aceitou a ideia de ser enterrada ao lado de seus pais e avós.
F.Moura--PC