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Covid-19 pode causar ansiedade hereditária, diz estudo em ratos
A infecção por covid-19 causa alterações no esperma de ratos que podem aumentar a ansiedade em seus descendentes, sugerindo possíveis efeitos duradouros da doença em gerações futuras, revelou um estudo publicado neste sábado (11).
Para o estudo, pesquisadores do Instituto Florey de Neurociência e Saúde Mental em Melbourne, Austrália, infectaram ratos machos com o vírus que causa a covid, cruzaram-nos com fêmeas e avaliaram os impactos na saúde de seus descendentes.
"Descobrimos que os descendentes apresentaram comportamentos mais ansiosos em comparação com os descendentes de pais não infectados", disse Elizabeth Kleeman, primeira autora da pesquisa.
O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, descobriu que todos os descendentes de pais infectados com covid apresentaram essas mesmas alterações.
As fêmeas, em particular, apresentaram "mudanças significativas" na atividade de certos genes no hipocampo, a parte do cérebro que regula as emoções.
Isso "pode contribuir para o aumento da ansiedade que observamos nos filhos, por meio da herança epigenética e do desenvolvimento cerebral alterado", disse Carolina Gubert, coautora da pesquisa.
As pesquisadoras afirmaram que seu trabalho é o primeiro do gênero a demonstrar o impacto a longo prazo da infecção por covid-19 no comportamento e no desenvolvimento cerebral das gerações futuras.
Elas descobriram que o vírus alterou moléculas no RNA do esperma dos pais, algumas das quais estão "envolvidas na regulação de genes conhecidos por serem importantes no desenvolvimento cerebral", afirmou o instituto.
"Essas descobertas sugerem que a pandemia de covid-19 pode ter efeitos duradouros nas gerações futuras", disse Anthony Hannan, pesquisador principal.
No entanto, Hannan esclareceu que mais estudos são necessários para determinar se as mesmas alterações ocorrem em humanos.
"Se nossas descobertas forem aplicadas a humanos, isso poderá impactar milhões de crianças e suas famílias em todo o mundo, com implicações significativas para a saúde pública", disse Hannan.
A pandemia de covid-19, que começou no início de 2020, causou mais de sete milhões de mortes em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, embora o número real de vítimas seja provavelmente muito maior.
Tanto a doença quanto as respostas oficiais a ela tiveram impactos profundos na saúde mental a nível global.
Pesquisas mostraram que pessoas mais jovens, que foram forçadas ao isolamento durante um período social crucial de suas vidas, sofreram o maior golpe na saúde mental.
G.Teles--PC