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De Niro, monstro sagrado de Hollywood e Palma honorária em Cannes
Considerado um dos maiores atores da história do cinema, Robert De Niro ganhou duas vezes o Oscar, mas nunca o prêmio de melhor atuação no Festival de Cannes, onde recebe nesta terça-feira (13) a Palma de Ouro honorária pelo conjunto de sua obra.
O sobrenome De Niro está muito ligado ao diretor Martin Scorsese. Ambos apresentaram "Assassinos da Lua das Flores" fora de competição em 2023 na Croisette, filme pelo qual foi indicado ao prêmio de ator coadjuvante no Oscar.
Aos 81 anos, ele segue incansável: atualmente, pode ser visto na telinha como um ex-presidente dos Estados Unidos na série "Zero Day", da Netflix, e nos cinemas como um mafioso em "The Alto Knights: Máfia e Poder".
- Papeis intimidantes -
De Niro nasceu em agosto de 1943, no bairro italiano de Nova York, filho de imigrantes e pintores.
Americano de nascimento, adquiriu cidadania italiana em 2006. Cresceu em um ambiente boêmio e começou a atuar aos 16 anos, inicialmente no teatro.
Seu primeiro papel no cinema foi em "Casamento às Avessas" (1969), de Brian de Palma, seguido por "Os Cinco de Chicago (Bloody Mama, 1970), de Roger Corman. Seus papéis como criminoso renderam fortuna e contribuíram para transformar o ator em uma lenda.
De Niro está acostumado a interpretar esses papéis sinistros, ameaçadores e cautelosos com perfeição, em contraste com a fúria imprevisível que demonstrava na juventude, em filmes lendários como "Caminhos Perigosos". O filme de 1973 foi a primeira de suas 10 colaborações com Scorsese.
Com Francis Ford Coopola, filmou "O Poderoso Chefão (Parte II, 1974). O diretor escolheu De Niro para interpretar a versão mais jovem do patriarca fictício da máfia, Don Corleone, que no primeiro filme foi interpretado por Marlon Brando.
Se desenvolver um personagem que ficou famoso com Brando foi intimidante, De Niro não deixou que isso afetasse sua atuação como o jovem Vito Corleone, que lhe rendeu o Oscar de ator coadjuvante.
Ele recebeu o Oscar de melhor ator em 1981 por sua interpretação do boxeador Jake LaMotta em "Touro Indomável", de Scorsese.
- Presença em Cannes -
Sua presença em Cannes tem sido frequente. Ele contribuiu para o sucesso de vários filmes importantes. "Taxi Driver" (1976) ganhou a Palma de Ouro, assim como "A Missão" (1986), coestrelado por Jeremy Iron.
O ator foi presidente do júri na edição de 2011 do festival.
Como diretor, Robert De Niro se destacou em 1993 com "Desafio no Bronx" e uma década depois com "O Bom Pastor", enquanto também se aventurava no campo da produção, além de continuar sua carreira de ator.
Nas últimas décadas, De Niro trabalhou em papéis mais leves, especialmente como sogro, algo que ele insiste que lhe traz tanta satisfação quanto seus papéis mais intensos do início de sua carreira.
Protagonizou a comédia "Entrando Numa Fria" em 2000, papel que repetiu em duas sequências.
Durante grande parte de sua carreira, o ator participou de entre quatro e cinco projetos por ano, acumulando mais de 100 papéis na carreira.
A produtividade diminuiu um pouco recentemente, mas ele não pensa em aposentadoria. Um filme com a atriz Jenna Ortega tem previsão de estreia para 2026.
Na vida pessoal, De Niro tem sete filhos de vários relacionamentos. Seu último filho nasceu em 2023, quando o ator, que mantinha um relacionamento com Tiffany Chen, tinha 79 anos.
P.Serra--PC