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Testemunhas do julgamento de P. Diddy descrevem supostos ataques violentos do rapper
O júri interrogou nesta segunda-feira (19) várias testemunhas de supostos abusos do magnata do hip-hop Sean "Diddy" Combs, depois de uma semana marcada pelo impactante testemunho de sua ex-namorada, a cantora Cassie, em julgamento do rapper e produtor, acusado de agressão sexual e de dirigir uma rede de prostituição.
Ao final do julgamento, os membros do júri deverão decidir se o artista e produtor ganhador de vários prêmios Grammy utilizou sua fama, riqueza e influência no mundo do hip-hop para submeter as vítimas à prostituição e abusar delas.
Na semana passada, Cassie, cujo nome real é Cassandra Ventura, ofereceu todo tipo de detalhes sobre as orgias ou "freak-offs", que estão no centro das acusações.
Tratavam-se de maratonas sexuais nos quais ela tinha que entregar seu corpo, sob a influência de drogas, a outros homens para satisfazer os desejos de Diddy, que a filmava.
A defesa tentou demonstrar que ela participou voluntariamente.
Nesta segunda-feira, Kerry Morgan, que foi melhor amiga de Cassie e que a conheceu quando trabalharam juntas como modelos, descreveu supostos abusos físicos e psicológicos de P. Diddy.
- "Não era a mesma" -
"Ela [Cassie] perdeu completamente a confiança em si mesma (...) Tinha perdido o brilho, não era a mesma Cassie", declarou Kerry Morgan, de 39 anos, diante do tribunal de Manhattan.
Durante um incidente em Los Angeles, Morgan pediu a um dos seguranças de P. Diddy, em vão, que "fizesse algo" para impedir que ele agredisse Cassie, disse aos jurados.
Segundo ela, Cassie estava de fato isolada porque a comitiva de Diddy, estrela do rap cuja fortuna é estimada em cerca de 700 milhões de dólares segundo a revista Forbes, estava formada por funcionários e sócios.
"Dava para ver que eles [o séquito] tentavam convencê-la de que tudo estava bem", acrescentou Morgan, referindo-se em particular ao incidente de 2016 em um quarto de hotel em Los Angeles.
Segundo uma filmagem captada pelas câmeras de segurança do hotel, que foi exibida na semana passada na sala da corte, Diddy golpeou Cassie violentamente.
Morgan, que estava com Cassie nesse momento, declarou que P. Diddy se aproximou e começou a bater na porta com um martelo.
"Acho que ela temia que ele entrasse e a matasse", declarou Morgan, que disse que aconselhou Cassie a deixar P. Diddy ou ao menos chamar a polícia.
- Frigideira -
Segundo Morgan, a cantora Cassie, cujo produtor era Diddy, disse que "não podia" porque ele "controlava tudo" e que ela corria o risco de perder seu "trabalho, seu carro, seu apartamento". "Ela teria perdido todos os meios de subsistência", disse.
Também nesta segunda, Dawn Richard, cantora do grupo Danity Kane, produzido por P. Diddy, cuja música "Show Stopper" alcançou o top 10 das listas da Billboard em 2006, testemunhou sobre a violência sofrida por Cassie.
Ela contou aos membros do júri que uma vez viu o empresário tentar acertar a ex-namorada com uma frigideira.
Segundo Richard, Cassie se encolheu no chão da cozinha e o rapper a golpeou contra o piso.
Ela descreveu outros dos rompantes de ira, entre eles um ocorrido em um restaurante de Los Angeles no qual Diddy supostamente deu um soco no estômago de Cassie.
Durante o contrainterrogatório, uma advogada do rapper tentou desacreditar Dawn Richard, que atualmente move um processo civil contra P. Diddy por abuso sexual, alegando que sua versão dos fatos tinha mudado entre sua declaração inicial e seu testemunho.
Dawn Richard admitiu que suas declarações mudaram com o tempo, afirmando que, no início, tentou esquecer aqueles "anos difíceis": "mas a cada dia que passa, parece mais fácil lembrar".
P.Serra--PC