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Província argentina aprova projeto de mineração em meio a protestos
A província argentina de Mendoza aprovou nesta terça-feira (9) um projeto de mineração, em meio ao repúdio de milhares de manifestantes, que acusam a medida de ameaçar o acesso da população à água.
Após a votação dos deputados, o Senado de Mendoza - 1.000 km a oeste de Buenos Aires - aprovou um pacote de propostas de exploração de cobre e ouro.
Na capital provincial, de mesmo nome, manifestantes se reuniram em torno da Legislatura e acompanharam o debate ao vivo, exibindo cartazes com a frase "Com a água de Mendoza não se negocia."
Um grupo de manifestantes de organizações sociais e partidos políticos percorreu em caravana cerca de 100 km desde Uspallata, epicentro do principal projeto de mineração.
Apelidado de "San Jorge", o projeto de Uspallata, perto da fronteira com o Chile, prevê uma mina de cobre a céu aberto com investimento superior a 500 milhões de dólares (2,71 bilhões de reais).
A iniciativa conta com o apoio do governador provincial Alfredo Cornejo, aliado político do presidente Javier Milei, e sua declaração de impacto ambiental foi aprovada por ampla maioria nas duas câmaras.
"San Jorge é a porta de entrada para que Mendoza possa fazer mineração e se inserir no mundo como uma província com potencial minerador", disse, no encerramento do debate, a senadora governista Natacha Eisenchlas.
Após a aprovação, o CEO do projeto, Fabián Gregorio, afirmou em comunicado que a decisão "permite dar um passo a mais", e que "começa, agora, uma etapa de trabalho técnico de viabilidade".
O projeto gerou resistências no terreno. Nas últimas semanas, houve manifestações em localidades como Uspallata, San Carlos, Lavalle e na capital provincial Mendoza.
"A maioria dos informes científicos são negativos ou preocupantes", disse à AFP Carlos Russo, membro da Assembleia de Água Oura de Las Heras, em cuja jurisdição fica Uspallata. "É uma zona de águas cristalinas, de nascentes de água, onde um milhão e meio de pessoas vivem a jusante", prosseguiu.
O senador Félix González, do Partido Justicialista (oposição), avaliou que a declaração de impacto ambiental do projeto é deficiente e "caminha para uma judicialização quase certa".
Milei manifestou em várias ocasiões sua vontade de transformar a Argentina em uma potência exportadora de cobre, seguindo o exemplo de seu vizinho, o Chile, primeiro produtor mundial com reservas superiores às da Argentina.
Neste contexto, o presidente ultraliberal busca apresentar ao Congresso nacional uma reforma da "lei de geleiras", com o objetivo de dar mais liberdade às províncias para avançar em projetos de mineração.
Segundo a Câmara de Empresas Mineiras, até 2032 a Argentina poderá triplicar suas exportações de cobre, que em 2024 foram de aproximadamente 4,6 bilhões de dólares (cerca de R$ 28 bilhões, na cotação da época).
S.Pimentel--PC