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Líder do Irã reconhece descontentamento social, mas sobe tom contra os protestos
O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, reconheceu neste sábado (3) as reivindicações econômicas dos manifestantes no Irã, mas advertiu que não haverá clemência para “arruaceiros” nessas manifestações que se espalharam por mais de vinte cidades.
Os protestos começaram no último domingo como uma expressão de descontentamento com os altos preços e a estagnação econômica, mas desde então se ampliaram para incluir reivindicações políticas.
“O presidente e os altos funcionários estão trabalhando para resolver” as dificuldades econômicas do país, castigado pelas sanções, disse Khamenei em um discurso por ocasião de uma festividade xiita.
“Os comerciantes protestam contra essa situação e isso é completamente justo”, acrescentou.
Khamenei advertiu que, embora “as autoridades devam dialogar com os manifestantes, é inútil dialogar com os arruaceiros. Esses devem ser colocados em seu devido lugar”.
Pelo menos oito pessoas morreram até agora nos protestos, incluindo membros das forças de segurança, segundo números oficiais.
As primeiras mortes foram registradas na quinta-feira, quando os manifestantes enfrentaram as autoridades.
Neste sábado, a agência de notícias Mehr informou que um membro de uma força paramilitar iraniana morreu durante uma manifestação no oeste do país.
“Ali Azizi, membro da milícia Basij, foi martirizado após ser esfaqueado e baleado na cidade de Harsin durante uma concentração de arruaceiros armados”, reportou a Mehr, citando um comunicado da Guarda Revolucionária, braço ideológico do Exército que supervisiona a força voluntária Basij.
A agência Tasnim, citando uma autoridade local, também informou a morte na sexta-feira de um homem na cidade santa de Qom, ao sul de Teerã, quando uma granada que ele tentava utilizar explodiu “em suas mãos”.
— Demandas políticas —
Os protestos concentraram-se principalmente em cidades médias do oeste e sudoeste do Irã, onde foram registrados confrontos e atos de vandalismo. Pelo menos 25 cidades foram palco de concentrações de diversas magnitudes, segundo um levantamento da AFP baseado na imprensa local.
Os meios de comunicação iranianos não informam necessariamente todos os incidentes, e os estatais minimizam a cobertura dos protestos, enquanto os vídeos que inundam as redes sociais costumam ser impossíveis de verificar.
A agência Fars informou sobre concentrações na sexta-feira em vários bairros de Teerã, que abriga cerca de 10 milhões de habitantes.
Mas neste sábado, feriado, a capital parecia tranquila, com ruas em sua maioria vazias sob chuva e neve, segundo jornalistas da AFP.
Em Darehshahr, no oeste do país, cerca de 300 pessoas bloquearam ruas, lançaram coquetéis molotov e “levantavam kalashnikovs” na sexta-feira, segundo a Fars.
O movimento começou no último domingo, quando comerciantes entraram em greve em Teerã contra as condições econômicas, e se espalhou quando universitários de outras partes do país se uniram.
Nos últimos dias, os protestos assumiram um caráter mais abertamente político. Em Karaj, nos arredores da capital, “algumas pessoas queimaram a bandeira iraniana, gritando ‘Morte ao ditador!’ e ‘Esta não é a última batalha, os Pahlavi estão voltando!’”, informou a Fars, acrescentando que outros na multidão se opuseram a essas palavras de ordem.
A dinastia pró-ocidental Pahlavi governou o Irã de 1925 a 1979, quando foi derrubada pela Revolução Islâmica.
Desde o início dos protestos, as autoridades adotaram um tom conciliador em relação às demandas econômicas, advertindo que a desestabilização e o caos não serão tolerados.
P.Mira--PC