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Alta do petróleo provoca tremor nas Bolsas asiáticas; mercados europeus se recuperam
O aumento da cotação do petróleo provocado pela guerra no Oriente Médio abalou as Bolsas asiáticas nesta quarta-feira (4), mas as europeias se recuperavam após duas sessões de quedas.
O petróleo prosseguia em alta nesta quarta-feira, o quinto dia da guerra desencadeada pelos ataques de sábado de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, que respondeu com mísseis e drones contra as monarquias do Golfo e o território israelense.
O barril de Brent do Mar do Norte subia 2,83%, a 83,70 dólares (441 reais). Na terça-feira, superou a marca de 85 dólares (R$ 448) pela primeira vez desde julho de 2024.
O barril de WTI americano operava em alta de 2,55%, a 76,46 dólares (403 reais).
"O principal problema dos mercados é que nenhum dos dois lados parece querer aliviar as tensões. A situação, inclusive, parece estar se agravando", afirmaram os analistas do Deutsche Bank.
O tráfego marítimo está paralisado no Estreito de Ormuz, uma área por onde transita quase 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) mundiais, o que alimenta temores de uma interrupção prolongada do abastecimento.
Contudo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Marinha americana poderia escoltar os petroleiros em Ormuz "se fosse necessário" para garantir o abastecimento.
"Isso permitiu que os mercados dissipassem a persistente ansiedade matinal (...). A reação no mercado de commodities foi imediata", explicou Elior Manier, analista da Market Pulse.
- Bolsas asiáticas em queda -
As Bolsas asiáticas, no entanto, registraram quedas expressivas. Em Seul, o índice Kospi perdeu mais de 12%. A Coreia do Sul, oitavo maior consumidor de petróleo do mundo, depende em grande medida dos hidrocarbonetos do Oriente Médio.
O mercado asiático seguiu a tendência de Wall Street, que fechou em baixa na terça-feira, nervoso com o risco de uma crise prolongada no Oriente Médio e suas consequências para a inflação, com os valores de tecnologia particularmente afetados.
Em Tóquio, o índice Nikkei 225 encerrou a quarta-feira em queda de 3,6%. A Bolsa de Hong Kong perdeu 2% e Xangai recuou 1%.
No Oriente Médio, Dubai operava em queda de 4,66% e Abu Dhabi perdia 3,20%.
"Quando o preço do petróleo aumenta, a conta é particularmente elevada na Ásia, onde as importações de energia constituem uma dependência estrutural", comenta Stephen Innes, da SPI Asset Management.
Na Europa, as Bolsas abriram de maneira estável, após duas sessões de queda: Paris subia 0,41%, Frankfurt 0,44%, Milão 0,23% e Londres 0,12%.
Os índices europeus tiveram um início de semana caótico, o pior desde 2025, quando Donald Trump impôs tarifas em larga escala.
No mercado cambial, o dólar, que subiu nos últimos dois dias como valor de refúgio, permanecia estável (+0,00%), a 1,1613 dólar por euro.
O ouro, também considerado um valor de refúgio em um cenário de incerteza, seguia em alta, de 1,66%, a 5.173 dólares (27.295 reais) a onça (31,1 gramas).
G.Teles--PC