-
Flávio Bolsonaro enfrenta tempestade a meses das eleições presidenciais
-
Airbus e Air France condenadas por acidente do voo Rio-Paris em 2009
-
O que há por trás da convulsão social na Bolívia?
-
Paris descobre Pont Neuf transformada em caverna: 'É realmente espetacular!'
-
Cannes resgata história dos últimos companheiros de Che Guevara
-
Israel expulsou todos os ativistas estrangeiros da flotilha para Gaza
-
Desaparecimento forçado e morte, o temor persistente pelos presos políticos na Venezuela
-
SpaceX lançará nova versão de foguete Starship antes de abrir seu capital
-
Ex-espião cubano dá sua versão sobre derrubada de aviões pela qual EUA indicia Castro
-
Irã aguarda representante do Paquistão e Trump alerta que negociações estão 'no limite'
-
Indignação em Cuba após acusação de Raúl Castro pelos EUA
-
Justiça condena Airbus e Air France pelo acidente do voo Rio-Paris em 2009
-
Israel se prepara para expulsar ativistas estrangeiros da flotilha com destino a Gaza
-
Cannes sem filtro: os segredos por trás do tapete vermelho
-
Manuel Neuer retorna à seleção da Alemanha para a Copa do Mundo
-
Exposição em Londres revela o lado artístico de Winston Churchill
-
Babados, couro de motoqueiro e celebridades brilham no desfile da Louis Vuitton em Nova York
-
Airbus e Air France aguardam decisão em novo julgamento do voo Rio-Paris
-
Acionistas da Samsung discordam de acordo com sindicatos sobre lucros da IA
-
Presidente de Taiwan diz que ficaria 'feliz' em conversar com Trump
-
Justiça australiana confirma multa de US$ 465 mil contra rede social X
-
Irã analisa última proposta dos EUA e Trump diz que negociações estão "no limite"
-
Pontos-chave do processo de abertura de capital em Wall Street
-
Sem Neymar, Santos cede empate (2-2) contra o San Lorenzo e se complica na Sul-Americana
-
Presidente da Bolívia reorganizará governo para conter protestos
-
Musk quer bater recorde em Wall Street com abertura de capital da SpaceX
-
Aston Villa vence Freiburg (3-0) e é campeão da Liga Europa
-
'Está na hora de EUA voltar a deixar sua marca na Groenlândia', diz enviado de Trump à AFP
-
A trajetória de Raphinha: driblar a pobreza e a violência para chegar à Copa do Mundo
-
Maioria do Fed elevaria juros dos EUA se inflação continuar acima de 2%
-
Aaron Rodgers confirma sua aposentadoria após a temporada de 2026 da NFL
-
Irã analisa nova proposta dos EUA, Trump diz que negociações estão na reta final
-
Camponeses marcham em La Paz e governo denuncia ameaça à democracia da Bolívia
-
Direitista Keiko Fujimori lidera pesquisa para segundo turno no Peru
-
Ministro israelense causa indignação com vídeo de ativistas da flotilha de mãos atadas
-
Filme venezuelano retrata dor de retornar ao país natal em Cannes
-
Boicotado por Hollywood, Kevin Spacey aparece no tapete vermelho de Cannes
-
Marta volta à seleção feminina para amistosos contra os EUA
-
Luis Enrique espera final 'muito difícil' contra o Arsenal na Champions
-
EUA indicia ex-presidente cubano Raúl Castro pela derrubada de dois aviões em 1996
-
Protesto na Venezuela contra morte de presos políticos sob custódia do Estado
-
Airbnb expande negócios a hotéis boutique, aluguel de carros e entrega de comida
-
Uefa anuncia novo formato para Liga das Nações e Eliminatórias europeias
-
Emissora de rádio local inglesa anuncia por engano a morte do rei
-
Ministro israelense provoca indignação com vídeo de ativistas da flotilha com as mãos amarradas
-
Sindicato da Samsung suspende greve na Coreia do Sul 'até segunda ordem'
-
Time norte-coreano vence na Coreia do Sul e vai à final da Champions Asiática feminina
-
Entrada da SpaceX na Bolsa desperta dúvidas em Wall Street
-
Xi e Putin ratificam relação 'inabalável' à prova de turbulências mundiais
-
Irã afirma que EUA 'busca iniciar uma nova guerra' após ameaça de Trump
O que há por trás da convulsão social na Bolívia?
Fora Rodrigo Paz!", dizem grafites na capital política da Bolívia. Seis meses depois de assumir o poder, o presidente de centro-direita enfrenta uma complexa convulsão social, com uma combinação de reivindicações, interesses e erros que dificultam uma saída para a crise, segundo analistas.
Em meio ao cansaço com a situação da economia, em seu pior momento em quatro décadas, uma onda de protestos se intensificou nesta semana, com epicentro em La Paz, cercada desde o início de maio por bloqueios de estradas que provocaram escassez de alimentos, remédios e combustível.
- O que detonou o mal-estar? -
A Bolívia esgotou suas reservas de dólares para sustentar uma política de subsídios aos combustíveis. Pouco depois de chegar ao poder em novembro, Paz eliminou esses subsídios.
O preço dobrou e, além disso, os postos começaram a vender combustível contaminado que danificou milhares de veículos, o que indignou a população, principalmente os transportadores. Chamaram-no de "gasolina lixo".
Um segundo gatilho foi o anúncio oficial de uma lei que transformava pequenas propriedades rurais em médias para facilitar o acesso dos proprietários ao crédito, mas camponeses indígenas a rejeitaram por medo de que terminassem nas mãos de bancos e, depois, de latifundiários.
A cientista política Adriana Rodríguez afirmou que setores da "Bolívia profunda" - camponesa e indígena - votaram em Paz e, ao "se verem excluídos do poder político", começaram a pressionar, em meio à "indiferença do governo" diante dos problemas.
Na campanha, Paz prometeu estabilidade econômica e "um capitalismo para todos", no qual o motor fosse a população, e não o Estado.
"Há setores que adotaram posições radicais, mas também outros que se mobilizam frustrados diante das expectativas que Paz gerou", opinou Daniel Valverde, analista e professor de ciência política.
- O que os manifestantes pedem? -
Sem uma única liderança, o movimento de protestos se ampliou em maio com professores, operários e mineiros.
Diante de uma inflação que em 2025 foi de 20%, a poderosa Central Operária Boliviana (COB) reivindicou aumento salarial no mesmo percentual, e os professores, uma aposentadoria com salário integral.
"Cada um puxa para o seu lado, responde a certos interesses, a certos grupos", observou a cientista política Daniela Osorio-Michel, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (GIGA).
Para a também cientista política Ana Lucía Velasco, "há motivações políticas para aproveitar os erros e desacertos do governo a fim de ganhar capital político para o movimento de oposição e de rearticulação da esquerda".
Com a prolongamento da crise, passou-se a exigir a renúncia do presidente. O governo denunciou na quarta-feira que grupos de manifestantes buscam alterar a "ordem democrática".
- Qual é o papel de Evo Morales? -
O governo de Paz, que pôs fim a 20 anos de governos socialistas, acusa o ex-presidente Evo Morales (2006-2019) de estar por trás dos protestos com o objetivo de voltar ao poder. Uma marcha de seus seguidores chegou na segunda-feira a La Paz.
"O governo aposta em polarizar e estigmatizar Evo Morales como o único responsável por tudo o que está acontecendo, mas cometeu erros e desacertos que escalaram a situação", disse Velasco.
Foragido por um caso de suposta exploração de uma menor e refugiado desde 2024 na região cocalera do Chapare, no centro do país, Morales denuncia um suposto plano de Washington para prendê-lo ou até matá-lo com o apoio do governo de Paz.
Sem mencioná-lo, os Estados Unidos, que ganharam outro aliado na América Latina com o mandatário, afirmaram que a Bolívia enfrenta uma tentativa de "golpe de Estado" e que não deixarão "criminosos e narcotraficantes" derrubarem um líder democrático.
Valverde avaliou que o líder cocalero, embora tenha tido grande poder de convocação, "está muito entrincheirado"; e Osorio-Michel recordou que "os resultados da última eleição mostraram um desencanto da população em relação a ele".
- Qual é a margem de ação do governo? -
"Muito pouca. Uma vez que as demandas escalam para pedir a renúncia, não se pode ceder. É mais uma guerra de desgaste, resta ver quem se cansa primeiro: o governo, os cidadãos ou os manifestantes", avaliou Velasco.
Paz advertiu na quarta-feira que não negociará com "vândalos", mas, em uma tentativa de acalmar os ânimos, anunciou que nomeará ministros "com capacidade de escuta".
Para Osorio-Michel, a diversidade de movimentos na convulsão social e o fato de não haver lideranças visíveis aumentam "a dificuldade do governo de estabelecer o diálogo".
"Terá que equilibrar o poder para tentar governar o tempo que lhe resta, embora mais enfraquecido. Levar em conta todos os setores, no centro. De alguma forma, estariam obrigando-o a cumprir o que prometeu", afirmou Valverde.
A.Motta--PC