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Venezuela liberta jornalistas e americanos em meio à pressão de Trump
A Venezuela libertou jornalistas nesta quarta-feira (14) em uma nova rodada das excarcerações prometidas pelo governo interino, em um processo que avança a conta-gotas sob pressão dos Estados Unidos.
Essas libertações incluem o renomado ativista opositor Roland Carreño, jornalista de profissão, e se somam às de cidadãos norte-americanos anunciadas na véspera pelo Departamento de Estado, em Washington.
O sindicato da imprensa informou 17 libertações até as 17h30 GMT (14h30 em Brasília0, entre repórteres, cinegrafistas, assistentes e membros de equipes de imprensa da oposição.
ONGs estimam que a Venezuela tem entre 800 e 1.000 presos políticos. E já são 68 libertações, incluindo profissionais da comunicação, segundo uma contagem da AFP que inclui dados de ONGs e de partidos políticos de oposição.
O governo informou nesta semana que 116 detidos deixaram a prisão, e o chefe do Parlamento insinuou que são 400, embora tenha incluído números de dezembro.
Delcy Rodríguez tem previsto um encontro com a imprensa nesta quarta-feira.
– "Paz" e "reconciliação" –
As autoridades evitam realizar libertações diretamente nos presídios, onde dezenas de familiares se aglomeraram desde 8 de janeiro com a esperança de ver seus entes queridos fora das celas.
Os detidos são transferidos de seus centros de reclusão para outros locais para serem libertados, longe das lentes da imprensa.
Carreño foi libertado em um centro comercial. Outros dirigentes, como o ex-candidato presidencial Enrique Márquez, foram levados em uma viatura dos serviços de inteligência até suas casas.
"Com as emoções misturadas, mas bom, finalmente em liberdade e à espera dos acontecimentos futuros, que não têm de ser outros senão o encontro, a paz, a reconciliação", disse Carreño em um vídeo de Luis López, outro jornalista libertado, divulgado pela imprensa local.
"Ainda há muita gente que continua nas prisões e esperamos que vá sendo libertada paulatinamente até que não reste nenhum preso", acrescentou. "Não é bom nem saudável para um país ter presos políticos."
Carreño esteve entre as mais de 2 mil pessoas que acabaram presas após os protestos contra a questionada reeleição de Maduro em 2024. Integrava o partido Vontade Popular (VP) e foi um colaborador próximo do antigo líder opositor Juan Guaidó. Antes, atuou como comentarista em um programa de opinião do canal de notícias Globovisión.
Ele estava detido na prisão de Rodeo I, nos arredores de Caracas, e precisou que foi informado de sua excarceração de madrugada.
Já havia estado preso anteriormente entre 2020 e 2023, acusado de "terrorismo". E foi excarcerado em meio a negociações entre Venezuela e Estados Unidos no caminho para as eleições presidenciais.
O caso de Carreño, à época, foi questionado por uma missão de especialistas das Nações Unidas, organismo que denunciou crimes contra a humanidade na Venezuela na repressão a protestos.
– "Justiça pelo meu filho" –
Entre os libertados está Nicmer Evans, analista político e diretor do meio Punto de Corte, que já havia sido preso em 2020 por 51 dias.
Washington informou na noite de terça-feira que a Venezuela começou a libertar prisioneiros americanos, sem precisar um número: apenas disse que foi mais de um.
"Saudamos a libertação de americanos detidos na Venezuela. Este é um passo importante na direção correta por parte das autoridades interinas", declarou um funcionário do Departamento de Estado sob condição de anonimato.
A administração Trump já havia conseguido anteriormente a libertação de americanos, em uma troca que envolveu imigrantes venezuelanos mantidos na prisão de segurança máxima Cecot, em El Salvador.
Um grupo de familiares dos 200 mortos nos protestos de 2017 na Venezuela criticou nesta quarta-feira, em Madri, a "lentidão" do Tribunal Penal Internacional (TPI) e pediu agilidade na investigação por crimes contra a humanidade contra o governo de Maduro.
"Hoje, depois de oito anos, vou continuar gritando e exigindo justiça pelo meu filho (...) Pedimos celeridade", afirmou Zugeimar Armas, mãe de Neomar Lander, um jovem de 17 anos que morreu nos distúrbios em Caracas em junho de 2017.
C.Amaral--PC