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Líderes europeus se reúnem em Bruxelas aliviados, mas vigilantes com EUA
Líderes europeus se reúnem em Bruxelas, nesta quinta-feira (22), para falar sobre as relações transatlânticas, com um certo alívio pela mudança de tom do presidente americano, Donald Trump, sobre a Groenlândia, mas sem euforia.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, parece ter conseguido dissuadir Trump de sua intenção de se apropriar da Groenlândia, um território autônomo dinamarquês no Ártico. Mas ainda há dúvidas no ar sobre o suposto acordo.
"Estamos em uma situação que parece muito mais aceitável, embora permaneçamos vigilantes", resumiu o presidente francês, Emmanuel Macron, no começo desta cúpula de emergência.
As ameaças de Trump sobre a Groenlândia, que faz parte da Dinamarca, país que é membro fundador da Otan, azedaram as relações entre Europa e Estados Unidos.
O risco imediato para a Otan parece ter se dissipado, mas ainda assim o bloco manteve a cúpula, convocada para abordar a crise. Agora, trata-se de analisar como se deve lidar com o presidente americano, um líder muito imprevisível.
"Trump cruzou o Rubicão. Poderia voltar a fazê-lo", disse outro diplomata, em alusão à travessia de um rio italiano pelo imperador romano Júlio César no ano 49 a.C., uma ação arriscada que selou seu destino e deu origem a uma expressão usada quando alguém toma uma medida considerada irreversível.
Os líderes "precisam entender que necessitamos de um plano B", advertiu.
- Poucos detalhes sobre o acordo -
Trump voltou atrás na quarta-feira à noite tanto na ameaça de tomar a Groenlândia quanto na imposição de tarifas contra os aliados europeus. Ele justificou o recuo afirmando que tinha chegado a um "marco" para um acordo sobre a ilha que atendia às suas necessidades.
A surpreendente mudança de tom se seguiu a uma reunião, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, com Mark Rutte, que posteriormente disse à AFP que "ainda resta muito trabalho a fazer".
Há poucas informações sobre os detalhes do que foi acordado. Uma fonte a par da negociação disse à AFP que os Estados Unidos e a Dinamarca vão renegociar um pacto de defesa de 1951 sobre a Groenlândia.
Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse não saber a quais conclusões chegaram Trump e o chefe da Otan.
"Não sei exatamente o que contém o acordo sobre o meu país", lamentou, durante uma coletiva de imprensa em Nuuk, capital groenlandesa.
Trump afirmou que o acordo dará o que Washington precisa, embora não pareça ter conseguido seu objetivo reiterado de integrar a Groenlândia aos Estados Unidos.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, assegurou que a soberania dinamarquesa sobre este território não estava sobre a mesa. "Isso não pode mudar", afirmou.
- "Atentos e preparados" -
Não se sabe o que provocou a mudança de postura de Trump e se a ameaça de represálias comerciais dos europeus contra Washington ajudaram a convencer o americano.
"Quando estamos juntos e somos claros e firmes na nossa vontade de nos defender, os resultados aparecem", acrescentou Frederiksen.
A Europa tem tido dificuldades para estabelecer linhas vermelhas aos Estados Unidos, um país que, com a administração de Trump, se tornou hostil ao ponto de ameaçar sua soberania.
"A ordem internacional das últimas três décadas, ancorada no direito internacional, sempre foi imperfeita. Hoje, seus alicerces foram sacudidos", disse o chefe de governo alemão, Friedrich Merz.
Embora tenha considerado que a decisão de Trump é o "caminho certo a seguir", Merz alertou em Davos que se avizinham tempos perigosos.
O continente aumenta drasticamente seus gastos com a defesa para não depender dos Estados Unidos, ainda precisa de Washington para pôr fim à guerra na Ucrânia e dissuadir a iminente ameaça russa no leste europeu.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, afirmou que é preciso "fazer tudo para proteger as relações transatlânticas", mas pediu "confiança e respeito entre todos os parceiros, não só dominação".
A Groenlândia é apenas parte do problema.
Os Estados Unidos atacam as leis, as políticas e os valores da UE e os líderes europeus sabem que qualquer alívio pode ser efêmero.
De fato, na tarde desta quinta-feira, Trump prometeu adotar represálias se os países europeus vendessem títulos do Tesouro dos Estados Unidos para pressionar Washington.
J.Pereira--PC