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Trump diz que Irã 'quer chegar a um acordo' para evitar ataque de EUA
O Irã quer "chegar a um acordo" para evitar uma ação militar dos Estados Unidos, estimou nesta sexta-feira (30) Donald Trump, depois que Teerã disse que estava disposto a retomar o diálogo, mas sem discutir suas capacidades de defesa e balísticas.
"Posso dizer isto: querem chegar a um acordo", declarou o presidente americano a jornalistas na Casa Branca. Quando perguntado se havia dado um prazo ao Irã para iniciar conversas sobre seus programas nuclear e de mísseis, Trump respondeu: "Sim, eu dei", mas se negou a dizer qual era.
"Temos uma grande armada, flotilha, chame como quiser, dirigindo-se agora mesmo para o Irã", disse Trump, em referência ao grupo que engloba o porta-aviões USS Abraham Lincoln da Marinha americana nos mares do Golfo.
"Esperemos que cheguemos a um acordo. Se conseguirmos um acordo, ótimo. Se não, já veremos o que acontece", afirmou.
Como prova de que Teerã está disposto a negociar, Trump citou o que definiu como a decisão do Irã de interromper as execuções de manifestantes.
A repressão aos protestos, segundo grupos de direitos humanos, deixou mais de 6 mil mortos e desencadeou a última rodada de ameaças entre os velhos adversários.
Trump diminuiu a tensão na quinta-feira, dizendo que esperava evitar uma ação militar no Irã e que havia negociações sobre a mesa.
Não obstante, o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, disse nesta sexta que as capacidades em matéria de mísseis e de defesa de seu país "nunca" estariam sobre a mesa de negociação.
Os Estados Unidos e outras potências ocidentais asseguram que o programa nuclear iraniano tem o objetivo de desenvolver a bomba atômica, o que Teerã nega.
- 'Em pé de igualdade' -
Araghchi disse nesta sexta-feira que seu país está disposto a retomar as negociações sobre seu programa nuclear com os Estados Unidos caso elas ocorram "em pé de igualdade".
"Se as negociações são justas e [ocorrem] em pé de igualdade, a República Islâmica do Irã está disposta a participar", declarou Araghchi nesta sexta-feira desde Istambul.
O chanceler iraniano se reuniu na Turquia com seu homólogo Hakan Fidan, que busca evitar um eventual ataque dos Estados Unidos ao vizinho Irã, o que poderia desestabilizar a região.
Esta é a primeira visita ao exterior de Araghchi desde que uma onda de protestos eclodiu no Irã.
A viagem ocorre em um contexto de máxima tensão para o governo iraniano, dado o envio de navios de guerra americanos ao Oriente Médio e a decisão da União Europeia de incluir a Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, na lista de organizações terroristas.
O chanceler insistiu em que Teerã "nunca buscou obter armas nucleares", mas ressaltou que as capacidades de defesa e os mísseis iranianos "nunca serão objeto de negociação".
"A segurança do povo iraniano não diz respeito a mais ninguém", assinalou, detalhando que, por ora, "não há nenhum encontro programado" com os americanos.
Aos aliados de Washington no Oriente Médio preocupa que um ataque dos Estados Unidos contra o Irã possa desestabilizar a região e causar caos econômico.
Um alto funcionário dos países do Golfo em contato com a administração Trump disse que os Estados Unidos guardavam seus planos com muito zelo.
"Esperamos que, aconteça o que acontecer, a situação leve à estabilidade. Esse resultado poderá ser alcançado se os iranianos fizerem a coisa certa, e esperamos que eles o façam", disse o funcionário, que falou sob condição de anonimato.
Enquanto isso, Ali Larijani, chefe do principal órgão de segurança do Irã, o Conselho Supremo de Segurança Nacional, se reuniu em Moscou com o presidente russo Vladimir Putin, aliado de Teerã.
Não vazaram detalhes de suas conversas. Moscou se ofereceu para mediar entre Washington e Teerã.
- Mediação da Turquia -
Nesse sentido, o ministro turco das Relações Exteriores afirmou que o governo americano deve resistir à pressão de Israel, seu aliado, para que ataque o Irã.
"Constatamos que Israel tenta convencer os Estados Unidos a lançar um ataque militar contra o Irã [...] Esperamos que a administração americana demonstre bom senso", declarou Fidan.
P.Serra--PC