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Ameaças comerciais dos Estados Unidos não terminaram, diz Macron
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou em uma entrevista a vários jornais europeus que as "ameaças" comerciais e as "intimidações" dos Estados Unidos "não terminaram", e fez um apelo por um despertar europeu.
Na entrevista publicada nesta terça-feira (10) por vários jornais, incluindo Le Monde, El País, The Economist e Süddeutsche Zeitung, Macron menciona uma "espécie de alívio covarde" por parte dos governantes europeus quando se saiu do "pico da crise" das tarifas com Donald Trump.
"Quando saímos do pico da crise, quando foi negociado um acordo para as tarifas, houve uma espécie de alívio covarde. Mas não acreditem nem por um segundo que isso acabou", advertiu.
"Observem o que vai acontecer com as tarifas sobre os produtos farmacêuticos e tudo o que vai acontecer. Todos os dias, todas as semanas, haverá ameaças".
Segundo o presidente francês, "quando há uma agressão manifesta, não devemos nos dobrar nem tentar chegar a um acordo". "Testamos essa estratégia durante meses e ela não dá resultados. Mas, sobretudo, leva estrategicamente a Europa a aumentar sua dependência", disse.
Em uma semana que será marcada por reuniões dos líderes europeus sobre competitividade e indústria, o presidente francês defendeu a simplificação, o aprofundamento do mercado interno da UE e a diversificação dos acordos comerciais.
Macron pediu a proteção da indústria europeia sem cair no protecionismo, por meio de uma "preferência europeia" em alguns setores estratégicos como tecnologias limpas, química, aço, automóveis ou defesa. "Em caso contrário, os europeus serão varridos", advertiu.
Na entrevista, Macron também citou o acordo de livre comércio com o Mercosul, que chamou de "acordo ruim, antigo e mal negociado".
"Eu defendo acordos justos e, portanto, acordos que tenham salvaguardas e que respeitem o clima ao mesmo tempo em que se alcança o que queremos para a economia", disse.
Sobre a Rússia, Macron afirmou desejar que a retomada do diálogo com Vladimir Putin aconteça de maneira coordenada entre os europeus e com um número limitado de interlocutores.
Os contatos diretos com Putin foram praticamente suspensos devido à guerra na Ucrânia. Para preparar uma retomada do diálogo, Macron enviou no início de fevereiro seu conselheiro diplomático a Moscou.
O presidente francês afirmou que os primeiros contatos técnicos confirmaram que "a Rússia não quer a paz agora", embora tenham permitido reconstruir "canais de diálogo".
C.Cassis--PC