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Delegação iraniana chega ao Paquistão antes das negociações com EUA
Altos representantes do Irã chegaram a Islamabad nesta sexta-feira (10) antes das conversas sobre um cessar-fogo com os Estados Unidos, embora as condições apresentadas por Teerã gerem dúvidas sobre a realização do diálogo.
O influente presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, lidera a delegação, da qual também participa o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, informou a televisão estatal iraniana.
Antes de sua chegada, Ghalibaf havia advertido que "duas das medidas sobre as quais as partes chegaram a um acordo ainda precisam ser aplicadas antes do início das negociações: um cessar-fogo no Líbano e o desbloqueio dos ativos do Irã" afetados pelas sanções dos Estados Unidos.
Mas o Paquistão, que atua como mediador, adotou um tom tranquilizador.
"Em resposta ao meu sincero convite, dirigentes de ambos os países vêm a Islamabad. Ali serão realizadas negociações para o estabelecimento da paz", afirmou o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, em uma mensagem à nação.
Ao embarcar rumo a Islamabad, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que lidera a delegação americana, pediu a Teerã que "não brinque" com Washington, ao mesmo tempo em que prometeu "tentar manter uma negociação positiva".
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia afirmado anteriormente que o Irã não tem "nenhuma carta" para negociar, exceto o controle temporário do Estreito de Ormuz — por onde passa um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos — e voltou a ameaçar com novos ataques caso as conversas fracassem.
- Bombardeios sobre o Líbano -
Sob fortes medidas de segurança, Islamabad se transformou em uma cidade fantasma antes das negociações programadas em um hotel de luxo.
A chegada de Vance está prevista apenas para a manhã de sábado. Ele estará acompanhado pelo enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e por Jared Kushner.
Desde que a trégua de duas semanas foi acordada, Teerã e Washington apresentaram versões contraditórias sobre se o Líbano está ou não incluído no acordo: o Irã afirma que sim, e os Estados Unidos que não.
Israel, por sua vez, afirma estar determinado a continuar combatendo o movimento islamista pró-Irã Hezbollah.
Poucas horas após a entrada em vigor do cessar-fogo, bombardeios israelenses causaram, na quarta-feira, 357 mortes e mais de 1.200 feridos no Líbano, segundo um novo balanço do Ministério da Saúde. Israel afirmou ter matado 180 combatentes do Hezbollah naquele dia.
Esses ataques foram os mais letais desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, com os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, e que se espalhou pela região, causando milhares de mortos.
Nesta sexta-feira, novos ataques mataram 13 membros das forças de segurança no sul do Líbano, segundo a agência estatal de notícias libanesa.
- Não às "concessões gratuitas" -
Paralelamente às discussões entre Irã e Estados Unidos, na próxima terça-feira serão realizadas em Washington conversas entre Líbano e Israel, informou a presidência libanesa nesta sexta-feira.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, havia dado anteriormente seu aval a "negociações diretas".
O Hezbollah rejeita essa iniciativa, e seu líder, Naim Qassem, pediu nesta sexta-feira às autoridades libanesas que não façam "concessões gratuitas" a Israel.
Israel voltou a ser alvo, nesta sexta-feira, de cerca de trinta disparos provenientes do Líbano, que causaram danos materiais, segundo o exército.
E no Golfo, o Kuwait anunciou nesta sexta-feira que membros de sua Guarda Nacional ficaram feridos após ataques registrados na véspera, enquanto o Irã negou qualquer envolvimento.
Outra sombra sobre as negociações é o Estreito de Ormuz.
O tráfego segue prejudicado na região, apesar de sua reabertura pelo Irã ser uma das condições do cessar-fogo.
A principal associação europeia de aeroportos advertiu sobre o risco de uma "escassez sistêmica" de querosene caso o tráfego marítimo não seja restabelecido no Estreito de Ormuz nas próximas três semanas.
Os preços do petróleo permaneceram na sexta-feira abaixo do patamar de 100 dólares por barril, ao final de uma semana marcada por quedas após o anúncio do cessar-fogo no Oriente Médio e diante das negociações entre Estados Unidos e Irã.
Wall Street e as bolsas europeias fecharam de forma mista, cautelosas diante da expectativa de diálogo.
Estados Unidos e Irã também divergem sobre a questão-chave do programa nuclear.
O chefe da Organização Iraniana de Energia Atômica descartou qualquer restrição ao programa de enriquecimento de urânio, uma das principais exigências dos Estados Unidos e de Israel, que acusam Teerã de querer desenvolver uma bomba atômica.
A República Islâmica, por sua vez, defende seu direito à energia nuclear para fins civis.
M.Carneiro--PC